Imagem gerada pelo Copilot a meu pedido.
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Quantas vidas habitámos numa só vinda ao mundo? Quantos somos e quão diferentes nos mostrámos em fases distintas do percurso? Passámos breves ou longos anos a afundarmo-nos nos redemoinhos das marés traiçoeiras, enquanto esbracejámos em busca de água límpida e calma.
Encontrámo-la. Aproveitámos as horas boas para nadar e boiar, deixando-nos levar pela suavidade das brisas e das correntes favoráveis como pequenas caravelas de velas latinas. Avistámos chamarizes, miragens e verdadeiros tesouros. Lançámos âncora e julgámo-nos seguros e encantados para a eternidade. Explorámos ilhas desconhecidas e secretas que descobrimos parecidas connosco. Surpreendem-nos, deslumbram-nos, amam-nos e perdem-se no tempo como nós próprios nos deixámos mesclar até escapar. Amámo-las e se formos tocados pela fortuna do juízo, aprendemos a cuidar e a ser leais.
De cada vez achámos ter encontrado casa, mas, qual tartaruga, carregámo-la às costas. Vivemos cem anos neste mergulho profundo nas águas marinhas, entre o bem-querer e a nossa carcaça solitária.
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O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.