Imagem gerada pelo Gemini a meu pedido.
*
Médica no verdadeiro sentido da palavra. Aquela com quem estive há um par de horas em consulta. En passant contei-lhe um desgosto e dei nome à causa desse sofrimento: medo.
Deu-me o exemplo de uma colega médica que corajosamente conseguiu a proeza que temo enfrentar.
Expliquei duas ou três razões palpáveis para não avançar, deu-me outras tantas a incentivar. Pintou o quadro bonito do alcançável.
O que considero praticamente impossível, em conversa pareceu viável. Saí do hospital uma vez mais de ânimo renovado. A acreditar que sou gente capaz. Sem os grilhões que me autoimpus. Sem o regime de exclusão que o entorno me impôs, com excepção de Nuno.
E saí mais confiável. Foram quinze anos de consultas e em muitas a palavra confiança foi dita por ela: confio em absoluto na sua avaliação e regulação da medicação. O que tem não é grave e controla na perfeição as oscilações.
Saúde Pública também é isto. Ir a uma consulta médica e sair de lá mais saudável.
Foi a última consulta. A médica sempre se vai reformar. Acompanhar a velhice da mãe e gozar o crescimento dos netos.
E esta é uma forma de agradecer a alguém que me tratou bem durante quinze anos.
No próximo ano conhecerei a nova médica.
*
O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.