Campo de Trigo com Corvos (1890), de Vincent van Gogh. Van Gogh Museum, Amesterdão. Imagem: Google Arts & Culture.
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A primeira vez que prestei genuína atenção a uma tela foi aos 14 anos em casa da minha professora de Arte e Design. Tratava-se do Campo de Trigo com Corvos, de Van Gogh — uma das últimas obras do pintor. Estávamos em 1987. Habituara-me a visitar com a minha mãe galerias de arte no Porto. Mais tarde, além dos museus portugueses, em várias viagens, procurei a pintura. Fui muito feliz no museu d’Orsay, no Louvre, no Prado, no Rijksmuseum e demais oásis do espírito.
Em Outubro de 2022, no museu Van Gogh, em Amesterdão, depois de impressionada com os auto-retratos e as telas a representar camponeses, entrei na sala da Amendoeira em Flor, pintada por ocasião do nascimento do sobrinho do artista, e tive um baque. Comovi-me ao ponto de me desmanchar num repentino ataque de choro. Incontrolável. Percebi mais tarde que a experiência tinha um nome: êxtase estético.
Foi daqueles momentos especiais em que percebemos que fez sentido virmos ao mundo.

Amendoeira em Flor (1890), de Vincent van Gogh. Van Gogh Museum, Amesterdão. Imagem: Google Arts & Culture.
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Já tinha visto telas de Van Gogh em Paris e visitado a exposição imersiva da pintura do holandês em Lisboa e já então tinha chorado, mas aí pelo todo, senti-me a Alice, no País das Maravilhas.
Nenhum outro artista, por mais deslumbrada tenha ficado, me provocou igual comoção. O mais aproximado será o baque de beleza que me apanhou desprevenida em Florença à entrada da Piazza della Signoria com a cópia da estátua David, de Michelangelo, e outras. Foi um mergulho no belo sem aviso prévio, nem bóia de salvação.
O fascínio pela arte acompanhou-me desde cedo e ao longo da vida com intermitências procurei ver e ler, especialmente, acerca de pintura. Nunca nada sistematizado. Lembro-me de no Natal da viragem do século, com a novidade da editora Taschen, ter comprado vários pequenos livros sobre artistas plásticos para distribuir como presentes natalícios.
Como em tudo na vida, apesar do interesse arreigado, nunca me transformei numa conhecedora, nem nunca tive a tentação de dar o ar de sabichona na matéria. Assim como não aprecio o usual abuso das obras de arte para ilustrar teses e argumentar em questiúnculas de vária natureza. Como em muito na vida sou uma assumida embevecida sem pretensões a expertise. Cândida.
Nos últimos dois anos aqui na plataforma Medium tenho lido entendidos na matéria e continuado a aprender com os meus resumos das leituras feitas e atenção às obras. E há vários anos planeio o mestrado em História da Arte para a altura da reforma.
Neste caldo de mola interna e influências dei por mim nos últimos meses a decidir estudar e escrever sobre História da Arte. Já deixei indicação em vários posts anteriores das obras que consultei e vou consultar. E, sem mais adiamentos, no próximo Domingo, darei início à saga. Que terá uma periodicidade quinzenal.
Por falta de tempo, darei por terminados os últimos dois anos de diários no formato habitual. Isto é, os que encabeço com um resumo sobre arte, passo às ideias, depois ao dia-a-dia. Ainda não sei como reformular o diário de fim-de-semana, talvez o faça na semana de intervalo recorrendo além das ideias e do dia-a-dia às notícias do país e do mundo — ainda a definir.
Para já fica a promessa, que tenciono cumprir, de depois de amanhã publicar o primeiro post da saga. Encaro-a como uma pequena aventura pelo desconhecido. Imagino que vá sair qualquer coisa singela, despretensiosa e muito pessoal. E admito: tive muita preguiça em começar.
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Obrigada por terem lido. Bom fim-de-semana.
O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.