Punho reaccionário

- asfixia -

Imagem gerada por IA.

*

O meu mundo é pequeno porque o conheço. Como as palmas da minha mão, adivinho cada palavra que vem, cada gesto decidido e cada suspiro hesitante.

O mundo do outro será maior só por ser desconhecido? O que pensa o outro quando encosta a têmpora à mesma mão que empunha para esmurrar o adversário? Terá sentimentos ternos ou nobres?

O círculo em que me movo foi feito a compasso das circunstâncias limitantes. Os sonhos rasgaram universos, a realidade traçou um reduto asfixiante, não pela vida comezinha, mas pela intolerância do pensamento dominante.

Não se confunda ausência de vida frívola com pequenez de espírito. O que sufoca é a avidez desmedida e a insensibilidade cada dia mais disseminada. Cada dia mais instalada.

Foi vê-la formar-se, espigar e acomodar-se, primeiro com a distracção de todos nós, depois com a conveniência dos videirinhos.

Ainda se ouvem ao fundo as justas vozes discordantes. Mas até quando? Se começa a achar-se normal reprimir e calar quem se atreve a opor, até quando serão permitidas?

*

O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.

0