Do teu azedómetro aos princípios universais

- a justiça para além da vontade individual -

Imagem gerada pelo ChatGPT a meu pedido.

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Se tivesses um azedómetro, não te envergonharias do comprimento da tua amargura. Ainda assim, e porque a comparação não é tanto com os outros mas com o teu próprio percurso, encanita sentires-te amarfanhada.

Se a natureza de carácter é benigna, a vida corre de feição e há realização nos grandes e pequenos feitos, não há espaço para ressentimentos. Encara-se o dia e os outros com confiança e doçura.

Tens saudade do tempo em que este era o espírito prevalecente, por saberes que é por aqui que reside a receita da alegria.

As traições e velhacarias desfazem a leveza que é teu timbre. Escondem-na, tornam-na densa e pouco apetecível. E até tu não te tragas.

E para cúmulo, ainda vem a psicologia culpar-te por seres ingénua ou por minares a própria felicidade não confiando em ti mesma. É fácil assim crucificar-te à boleia da ideia absoluta de autodeterminação e livre-arbítrio.

Esta moda decorrente do super-homem de há cento e cinquenta anos e a sua simplificação ao espírito do futebolês consomem o juízo de quem pensa, em benefício de quem reage irracionalmente.

Compreender os malefícios exógenos é tão lúcido como aprender a dominar as ditas “ferramentas do desenvolvimento pessoal”. Contemporizar ou abstrair das agressões externas distorce a ideia de justiça e, isso sim, mina a felicidade.

Mais, incentiva a construção de uma sociedade selvática, na qual cada um lute com deslealdade para vencer — a lei da selva. O desenvolvimento individual não substitui a justiça, a reciprocidade e a responsabilidade colectiva.

Não é à toa que, em momentos de crise civilizacional, despontam pensadores que, lado a lado com o questionamento de si mesmo e do mundo, pugnam por princípios universais, de sã convivência.

A humanidade procurará sempre uma ordem estruturante do universo, no qual o homem é um dos elementos constituintes. Não vale tudo para satisfazer os caprichos do homo sapiens que se supera a si e almeja o poder para se impor aos demais.

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O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.

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