Diário 25 de Outubro de 2026

- a esperteza barata destrói o pensamento -

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Leitura no Medium

Este fim-de-semana escrevo o diário na madrugada de mudança de hora para o início do horário de Inverno. Talvez seja um incentivo a aproveitar o nascer do sol mais cedo nos próximos meses. Disparo os últimos cartuchos de resumos de artigos do Medium. No futuro o diário obedecerá a novas regras. Passo então a debruçar-me sobre um artigo lido aqui na plataforma Medium, disponível no separador Activity.

O artigo escolhido versa a tela Chuva, Vapor e Velocidade, de 1844, do inglês J. M. W. Turner, que retrata um veloz comboio a vapor a atravessar a ponte de Maidenhead a caminho de Londres no meio de uma tempestade; símbolo da Revolução Industrial. A autora assinala não só a inovação tecnológica do comboio, como da própria ponte, uma obra de engenharia ousada para a época em que muitos desconfiavam que pudesse sobreviver à passagem daqueles potentes cavalos de ferro. Refere também alguns pormenores quase imperceptíveis da pintura: a lebre que foge diante da locomotiva, a antiga ponte, o barco a remos, as figuras humanas junto ao rio e o arado puxado por cavalos — a simbolizar o mundo tradicional a desaparecer. A autora chama ainda a atenção para o carácter precursor das pinceladas expressivas: o impasto (tinta espessa) com contrastes de luz e cor para transmitir a ideia de chuva e movimento veloz, a perspectiva em V invertido que acentua a aproximação do comboio e a abstracção da frente da locomotiva. Recorda a influência mais tarde nos impressionistas ao captarem a emoção do momento.

A pequenez que arruína

Em comportamentos de pormenor nas relações pessoais e profissionais podemos constatar o que arruína a evolução salutar da vida em comunidade. De comentários a acções noto como a ignorância se impõe mascarada de senso comum e de humor. Argumentar antes de sentir e pensar por alguns momentos é prática de gente esperta e bem-sucedida. Tornar tudo fútil, roubando o valor intrínseco à ideia válida, para a reduzir a uma vulgaridade é uma técnica muito usada por chicos-espertos. Tal como dar palpites naquilo em que não se perdeu um minuto a reflectir. Debitar preconceitos sem questionar nada do que cai no colo, argumentar sem juízo crítico é outro hábito com muito sucesso. Há pessoas que passam a vida inteira a replicar o que ouviram e a opinarem com total insensibilidade por falta de pensamento. E não se enganem, não raro são pessoas bem resolvidas e contentes consigo mesmas. Não estão habituadas a questionar nem a si mesmas, nem as crenças herdadas ou adquiridas por mimetismo ou moda. E numa sociedade em que não se privilegia o mérito, mas sim a auto-estima e a desinibição, este hábito destrói a possibilidade de evolução educada do mundo.

Dia-a-dia

Ao longo destes dois anos, neste tópico semanal do quotidiano, depois de pairar por uns parágrafos sobre alguma ideia, tenho trazido o comezinho da vida familiar através das conversas e reuniões com pais, irmãos e sobrinhos e a minha enteada e sogra. Contado pormenores banais da vida conjugal com o Nuno. Falado pontualmente das cavaqueiras e visitas dos poucos e resistentes amigos. Descrevi as vindas do pequeno M. para as aulas de piano com o Nuno. Testemunhei os parcos passeios e viagens e as estadias no parque de campismo. Com menor frequência faço referências ao dia comum de actividade profissional. Descrevo as horas de sono, os sonhos e, com brevidade mas amiúde, mostro as refeições caseiras ou idas a restaurantes triviais. Falo com singeleza de livros que estou a ler e relato pormenores de diálogos ocasionais ou arrumações em casa.

Em suma: mostro a minha vida comezinha. A que me importa. E coloco-a ao mesmo nível das tais ideias que pairam na mente e dos resumos sobre pintura, fotografia ou notícias do mundo. A realidade não é estanque, nem creio que seja salutar vivermos enclausurados numa reserva excessiva, que em muitos casos é mais táctica subversiva para exibir apenas a faceta mais conveniente do que legítima defesa da intimidade.

E, neste fim-de-semana, o que tenho a relatar da intimidade? A minha mãe, o Nuno e eu forramos o sofá da sala. Trabalho de equipa. De azul passou a bege acinzentado claro. A sala ficou mais luminosa. O Nuno desaparafusou os braços do sofá para que a minha mãe e eu puséssemos a capa de raiz. Conseguimos terminar a tarefa com êxito. Outro aspecto positivo foi a embalagem do IKEA com a capa ter chegado sexta-feira e não no próximo dia 27, como estava previsto; nesse dia vou ser submetida a uma cirurgia (nada de preocupante) e não poderei fazer esforços durante uns dias.

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Obrigada por terem lido. Bom Domingo.

O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.

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