Imagem gerada pelo ChatGPT a meu pedido.
Neste tempo em que todos argumentam à exaustão, na aparência de opinião fundamentada, reparo num vício: o menosprezo de juízos factuais, verdadeiros, ainda que evidentes, com recurso à acusação de que são meros juízos morais ou emotivos, sem análise estruturada.
Muito visto quando legitimamente se argui a injustiça de uma medida ou de uma acção.
Nos casos de maior lata, conclui-se estrategicamente que se trata de ideias simplistas, ingenuidades, ou mesmo de boatos.
E, para conferir credibilidade ao julgamento sumário, isolam-se e descontextualizam-se detalhes e exige-se neutralidade apenas ao adversário, no intuito de legitimar as relações de força pré-existentes. Transforma-se a linguagem técnica em instrumento ideológico. De modo dissimulado, fazendo de conta que se preza e defende a liberdade de expressão, corroem-se os consensos democráticos e estimula-se o crescimento das forças autoritárias através do uso político do medo e da humilhação social.
Sei bem do que falo.
*
O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.