Ponto de situação e considerações avulsas

Imagem gerada pelo ChatGPT a meu pedido.

São quatro da tarde em ponto ao começar este post. Escrevo-o antes de ir dormir um par de horas por ter estado desperta durante a madrugada. Passei-a a andarilhar pelo corredor, sala e cozinha como faço sempre que devaneio. Os pensamentos rondaram a troca da casa e as leituras digitais.

Creio que hoje já não terei cabeça para o diário de fim-de-semana. Lerei novamente uma entrada sobre pintura do romantismo para o meu usual exercício de resumo daquilo que gosto. É curioso como o amadorismo pode ser trabalhoso.

Não entrarei noutras leituras hoje. As pipocas mentais são suficientes para preencher o espaço cognitivo. Não posso enfiar mais na mioleira, senão transborda e não quero miolos espalhados pelo soalho.

No diário darei conta do comezinho, da vida doméstica. Como sempre. E se não me esquecer, farei associações às memórias que dão relevo ao quotidiano. A valorização de certas realidades e pessoas em detrimento de outras explica-se pelo percurso de vida.

Não tenho a menor paciência para a psicanálise, mas preferir o são, lógico e pragmático pode bem ser decorrência do que me deu conforto na infância. Não gosto de rodriguinhos nem de jogos de sombras e densidades fabricadas para enganar. E mais do que tudo odeio deslealdades e sobrancerias.

Conto só um pormenor da leitura de um romance que me tocou. Na tal ficção do dia que se repete centenas de vezes para a personagem central, mas não para o marido (e demais personagens), o detalhe do cabelo e das unhas que crescem, apesar do dia ser sempre o mesmo, é uma evidência da disrupção individual do tempo. Este é um dos milhares de detalhes que torna a obra uma preciosidade.

Por falar em evidências: como podemos perceber de uma só penada que uma mulher e um homem (além de falsos e desonestos) são obtusos e presumidos? Dando a ler um trecho simples alheio com uma evidência que dá sentido à vida, que eles tratam com o tédio e aversão próprios da estupidez. De quem está convencido que é uma irrelevância que não deve ocupar a superior inteligência de jumento. Prevalece o pavor de que a simplicidade diminua a sua enorme importância. À mulher medíocre e desleal falta a balofice; ao homem arrogante falta o catálogo. Sem um e outro perdem-se exactamente porque a profundidade que tentam aparentar é fajuta. Uma dupla de sucesso em perfeita sintonia.

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O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.

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