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É uma e meia da tarde de Sábado. O que tenciono contar no diário de amanhã? Que dormi pouco e intermitente. À noite conversei solto com o Nuno e depois de pesquisarmos destinos diferentes para os meus dois dias de férias daqui a 15 dias, acabámos por decidir não complicar e ir para o bungalow do Parque de Angeiras.
Passei parte da madrugada a organizar no ar futuros familiares que me preocupam e a ver vídeos de receitas na fritadeira de ar quente. Gastei menos tempo do que habitual com jornais, Medium, blogs e esoterismos. Em rigor, muito pouco. Não peguei em nenhum livro físico.
Tomei café, vi um pouco do canal televisivo Conta lá, reguei as plantas. Conversei com o Nuno. Vimos novamente os pequenos circuitos em Marrocos. Apesar de andarmos a arrastar a ideia há muito tempo, ainda não decidimos. Amanhã darei nota das ponderações.
Desliguei a televisão e liguei o rádio para sossegar. Depois de escrever esta pequena nota terminarei o almoço (agora estamos nisto, deixo para meia hora ou uma hora mais tarde) e ligarei a máquina da roupa.
Em seguida pretendo passar o próximo par de horas a estudar — comecei a reunir suporte sobre as matérias a que me vou dedicar. Também darei notícia dos empréstimos e aquisições de livros que fiz e farei. Tudo tintim por tintim. Sem nada nas mangas nem peneiras inúteis para impressionar papalvos.
A vergonha, a vergonha. Anunciar projectos. Não me limitar a concretizar e mostrar o resultado. A vergonha, pôr a nu as costuras da acção do estudo e escrita, correndo o risco de que não saia conforme os planos e os ditames quadrados. Assumindo o risco de ser desconsiderada e jamais levada a sério. Deixar pontas abertas, por concretizar. Mostrar resultados incipientes. Rasgar caminho.
Mas que topete e falta de noção do ridículo. Não aconselhar, não dizer como se deve levar a vida. Não criar sugestão de sofisticação e erudição arrevesando as letras e pondo-me a jeito das trocas de favor. Recusando o bluff. Mostrar apenas o caminho próprio. Com imperfeições e inseguranças. Que falta de pudor.
Descansarei ao final da tarde e à noite.
Amanhã de manhã iremos ao Parque da Cidade e à tarde escreverei e relaxarei.
Tudo sem importância. Nada palpitante. Nada estimulante. É assim a vida de gente banal e desinteressante. Uma canseira. Sofro tanto — já tinha saudade de um travozito ácido.
Bom Sábado. Sejam felizes, cada um ao sabor da sua vontade.
O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.