Pequena mexerufada à sexta-feira

Imagem gerada pelo ChatGPT a meu pedido.

Escrevo como se cada post fosse um trecho epistolar ao leitor desconhecido. Quem sabe futuro. Mescla de expressão e de expectativa. Digo o que quero, mas não deixo de pensar na reacção anónima.

Pela negativa

Mais cedo contive-me. Não escrevi porque ia sair qualquer coisa desagradável a propósito de um artigo num jornal, cujo tema é um novo museu. Uma tonta, das que querem muito exibir a sapiência e destratar os demais, mas desconhecem o básico de pintura, que aliás não lhes interessa. Cabeças balofas. Já disse demais, como de costume.

Pensei em esperar por ter qualquer coisa com substância antes de voltar a escrever, porém volto à carga: onde está estabelecido que trocar referências, citações, bajulações e vaidades sobre o “conhecido” e renomado tem mais interesse que o comezinho? É-me cada vez mais evidente o egocentrismo e vacuidade de quem acusa os demais de narcisismo, mas não sai do seu mundinho da bajulação e pseudo-interesse da actualidade e mimetismo cultural. Entediante falta de noção do quão vulgar e aborrecido é. A tal naftalina que tresanda.

Pela positiva

Ontem li um bom post sobre três livros dos séculos XIX e XX ambientados em ilhas. Três romances conhecidos, dos quais li apenas um. O primeiro e mais optimista. Felizmente não aderi à negritude subsequente às Grandes Guerras e ao apelo pela ambivalência violenta e perversa. No mesmo blog li um post acerca de um autor corajoso e incontornável do nosso tempo, cujo testemunho cru e físico de vida é exemplar. O que mais me marcou: a referência à escrita como acto de resistência corporal, física, sem romantização.

Porque não identifico os autores e títulos dos livros? Por acrescentar menos do que se pensa. A tralha das referências atrai sobretudo tontos e convencidos de sapiência palerma. A substância desossada do chamariz parece simplória aos presumidos e vai directa ao coração e mioleira de quem tem valor.

A conversa, a nesga de notícia e o trivial

Hoje alguém me dizia ter ficado a pensar na deixa de um alto conselheiro militar na Rússia dos Czares, na viragem do século passado, referindo-se à expansão a Oriente e à pretensão da Coreia: precisámos de uma guerra para distrair a população e evitar a revolução.

Foi um pouco depois de ter visto Xi Jinping fazer de cicerone de Donald Trump no passeio pelos jardins históricos de Zhongnanhai.

Todavia, prestei apenas relativa atenção. Tenho estado desde ontem a organizar-me mentalmente para a eventualidade de mudança de casa. Já obtive um orçamento informal de uma empresa de mudanças. Já procurei recordar a chave móvel de acesso às burocracias. E durante o dia de hoje já foram lá a casa um técnico de fechaduras e um electricista resolver pequenas avarias, que saem sempre caras.

Agora o que me ocupa é a incumbência de arrumar e desfazer-me de tralha sem utilidade que se vai acumulando. Se mudar de casa, evito o transporte de inutilidades. Se não mudar, fico com a casa mais livre.

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