Planos de estudo e escrita
Acabo de ler pela segunda vez os planos de um curso de História da Arte e História da Arte Contemporânea com indicação da bibliografia aconselhada. Cheia de ganas colei-os num documento Word. Arquivei-o junto do croqui do Espanador/Pretexto, o tal projecto de escrita fora de antena com quinze capítulos já desenhados, mas dos quais escrevi apenas dois.
O Ritz ronrona no meu colo a pedir festinhas. O teclado do portátil está cheio de pêlos. A Smooth FM toca na sala. Estou sentada à mesa do computador no +1.
Não gosto do cliché dos comentários sobre procrastinação, mas é isso que sinto ao juntar o novo projecto ao antigo. Compenso-me lembrando a mim mesma que muito na minha vida se tem concretizado depois de maturado. Muitos dos ímpetos momentâneos, parados por anos, voltam depois e materializam-se. É possível que seja assim com o Pretexto. Mas, relativamente ao estudo de História da Arte não quero adiar –a ver vamos se começo em Setembro e o levo de empreitada. Na bibliografia chamou-me a atenção a História da Arte, de H. W. Janson, que me lembro de folhear desde pequena, já que era um livro da estante dos meus pais.
Associo a sensação de adiamento ao uso da elíptica comprada em 2016. Usada por pequenas temporadas e parada há anos, mas aproveitada para exercício diário na última semana pelo Nuno e por mim. Quando me diziam para me livrar dela, respondia que mais tarde usaria.

Panca das casas
Três meses depois da primeira visita, ontem fomos ver pela segunda vez o andar-moradia para o qual fizemos proposta de compra condicionada à venda do nosso apartamento.
Além de todos os enguiços que já aqui contei acerca da venda da nossa casa, ontem tive a perfeita noção de que tudo desaconselha a mudança e o curioso é que mantenho o interesse. Apesar de gostar cada vez mais do nosso apartamento e de me parecer mais prático — além de ter consciência das contra-indicações da nova casa.
Marcámos visita para o final da tarde e chegámos quinze minutos mais cedo. O tempo necessário para assistirmos ao alvoroço na rua entre vizinhos que contavam entre si um assalto a uma das casas da rua na madrugada anterior. Belo cartão-de-visita, brinquei eu com o vendedor que, muito admirado, dizia: mas a rua está cheia de casas com gente nova. Não percebi por que razão a gente nova repeliria assaltantes, mas confirmo: como estivemos lá ao entardecer, assistimos ao regresso a casa de vários habitantes jovens com dificuldade em estacionar o carro — trata-se de casas modestas sem garagem, e a rua é estreita e de sentido único.
Dentro de casa aproveitei para fazer medições já que não tenho a planta. Reparei numa mancha de humidade (ressoado, disse o vendedor) numa parede e nos dejectos do gato do vizinho no jardim. Notei também que a lavandaria é pequena demais para lá caber a elíptica — era o local que tinha destinado, uma vez que o resto da casa está pensado e ocupado. O interior da casa tem menos área útil do que o nosso apartamento — a escada consome espaço. Mas tem os tais quarenta metros de jardim que almejo.
Vou deixar o destino ditar as regras. Tudo depende de haver ou não comprador para a nossa casa.
Como habitual, li o post ao Nuno e perguntei o que acha quanto à casa para que fique registado em acta. Ele respondeu: se não aparecer comprador, não farei esforço nenhum para a venda. Perguntei se quer desistir. Respondeu: ainda não, aguardo o destino por mais algum tempo.
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O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.