Sementes

- os fala-barato com valor abrem caminho -

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Dizem que as pessoas de Sagitário falam demais. Confirmo na primeira pessoa. Dizem que fazem muitos anúncios e que perdem por isso por não serem levadas a sério. Confirmo. Mas que lhe fazer se me dá prazer projectar e falar disso, mesmo que grande percentagem dos planos fique por concretizar? Há sempre realizações, ainda que tardias. E se querem saber, dá-me muito prazer esta eterna conversa comigo própria e com quem a escuta tantas vezes com aquele ar desinteressado que não dá nada por mim. A sovinice de afecto e lisura fica do lado de lá, por cá continuo a seguir maioritariamente alegre. Esse é o meu prémio. Quem dá muito sem calculismos, quem dá real valor, pode não receber nada em troca dos outros, mas recebe uma paz e um amor consigo mesma incalculável. E convenhamos, por muito poucas pessoas sejam, há sempre quem nos acolha e mime.

Dizem que as pessoas de Sagitário, Caranguejo e Peixes são facilmente ludibriadas. São as minhas principais posições astrais. Tanto pior para os espertalhaços e espertalhaças que enganam e ofendem. Acreditar mesmo em quem não merece um pingo de consideração traz mais felicidade aos crédulos do que aos oportunistas que se aproveitam e nunca conhecerão o sabor doce da autenticidade.

Vem isto a propósito dos meus planos, interrompidos no último mês. Estudar História da Arte.

Cá estou eu sem ter conseguido trocar de casa para uma com jardim, mas com espaço renovado funcional e confortável no nosso apartamento para estudar e escrever e sem mais desculpas para não me atirar de cabeça. Com Janson em papel, Gombrich digital. Mais uma resenha em papel, O Livro da Arte. Ainda não comecei a ver vídeos no YouTube, mas presumo que também vá encontrar material que me interesse.

É neste pé que me encontro de pijama na manhã de Sábado. Gosto de estar no início, gosto de lançar sementes, gosto de deixar rasto e sei que deixo, ainda que naquele registo de vento sem nome de que falei noutros posts. Sem falsa modéstia, abro caminhos independentemente da aparente indiferença generalizada.

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