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Leituras no Medium
Este fim-de-semana as leituras foram poucas e vou seleccionar apenas uma. Deixo para a semana o resumo de um artigo sobre a tela O Astrónomo, de Vermeer. Por enquanto dedico-me apenas a um post acerca de Paul Klee. Já sabem que os artigos que dão origem a estas observações estão disponíveis no separador Activity.
A obra analisada pelo autor que li é a Paisagem de Inverno, de 1930, de Paul Klee, que combina a representação de uma paisagem invernosa com elementos abstractos. Introduz-nos ao movimento da Arte Abstracta e à sua explicação, observando que o pintor parte de referências simples à natureza — céu cinzento, neve, árvores sem folhas e cores frias -, mas junta uma linha negra e formas coloridas que entram em ruptura com a representação tradicional da paisagem de Inverno. A abstracção nasce da observação da natureza e transforma-a numa linguagem própria. O traço, a cor, a forma, o espaço, a textura e a composição deixam de estar espartilhados pela representação da realidade — não servem apenas para descrever os objectos-, sendo elementos expressivos por si mesmos. Um modo do artista não impor à obra uma interpretação intelectual, isto é, uma narrativa pessoal pré-determinada.
A doce dispersão
O defeito de querer abraçar o mundo inteiro a cada instante.
O sonho, neste caso, será o de Deus ter traçado um plano que não seja conhecido, mas apenas intuído. O tal que adivinho em silêncio parcial, reconhecendo um padrão de obra a criar-se lenta e consistentemente. E a ideia de contínua aprendizagem e de passar testemunho de modo inteligível e sensível, e simples. Sem os fogos-de-artifício, nem o estardalhaço que agrada às falsas amizades e às audiências. Ou o tal devaneio de uma consciência colectiva em que cada um desempenhe um papel parcialmente pré-determinado.
O desejo de num momento qualquer da vida, voltar a sentir que as pontas se unem e tudo faz sentido. Essa inteireza de propósito que traz a proximidade da plenitude e da razão da existência. Essa é a doce vitória sem louros, a da completude interior no universo sem necessidade de outra validação que não seja a do éter.
Dia-a-dia
Desde ontem apetece-me um cigarro. À noite estive a fazer mudanças em casa. Uma vez que não a vendemos, resolvi espraiar-me e fazer um escritório maior para mim no segundo quarto. Já tinha contado que me desfiz da cama de casal e antiga escrivaninha. Ontem montámos no segundo quarto a mesa do computador acoplada à estante. Na quarta-feira terei montadas mais duas estantes e um sofá-cama, tudo do IKEA.
Estou feita num oito por ter estado em limpezas e a reorganizar todos os livros cá de casa. Só deixei de fora a colecção Mil Folhas e os dicionários para as estantes novas.
Sentada à mesa do computador com as três colunas a ouvir rádio apetece-me muito um cigarro.
Durante o dia de ontem estive em casa da minha mãe. Ofereci-me para a ajudar a desfazer-se de tralhas, o que dá sensação de desafogo. Depois de almoçarmos pasta no restaurante Olive estive também a pedir online o cartão porto –permite a mobilidade nos transportes públicos em toda a área metropolitana do Porto -, já que a minha mãe deixou de conduzir. Além de criar conta no Continente para que possa comprar online e deixar de carregar pesos tais como água, galões e laranjas do Algarve.

De casa da minha mãe trouxe quatro livros: O Sagrado e o Profano, de Mircea Eliade, um livro muito querido do meu tempo de liceu e das aulas de Filosofia. Pensamentos Secretos, de David Lodge, autor muito do agrado da minha mãe, O Homem que Sabia Contar, de Malba Tahan, que, após a consulta das estantes maternas, foi o que mais me cativou. E A Mente Aprisionada, de Czeslaw Milosz, por ser necessário recordar o mundo em que vivemos. Não faço a mais pequena ideia quando terei oportunidade de ler os três últimos. O primeiro veio para cá por uma questão de culto de um objecto sentimental. E quanto à Filosofia, mais cedo ou mais tarde, haverá novidades.
Amanhã trabalho, mas terei o resto da semana de férias e ficarei em casa a organizar e gozar das mudanças. Decidimos não viajar nestas férias. Mais uma vez adiámos. Agora a sair só no início de Dezembro. Logo se verá.
Obrigada por terem lido. Boa semana.
O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.