Diário 9 de Agosto de 2026

- olhar de cima, pensar mais fundo -

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Leitura no Medium

No diário deste fim-de-semana escolhi para resumir um artigo descomplicado acerca de fotografia publicado aqui no Medium. Como habitual está acessível no separador Activity para que possam ler.

O post traz um tópico que desperta a curiosidade: fotografia aérea, captada com drone. O autor conta que a sua intenção era a de obter novas perspectivas de lugares conhecidos e também dos inacessíveis a pé e, por isso, intocados por acção humana, na costa de Malta. E relata como a experiência acabou por transformar a própria forma de fotografar. Quando a paisagem é vista de cima, especialmente a 90 graus, perde parte da profundidade, parecendo plana — o relevo e a perspectiva deixam de ter peso. O fotógrafo precisa de procurar interesse nas formas, nos padrões, nas texturas, nas cores, na luz e nas sombras. O autor reflecte na forma como isto altera o modo de observar as paisagens como as da costa de Malta com fortificações, ou os campos agrícolas e as salinas, que passam a parecer composições geométricas abstractas. Destaca ainda a questão da responsabilidade ambiental, que se traduz no respeito por não perturbar a vida selvagem dos locais fotografados.

Directa ao assunto

Pouco na vida é inteiramente feito do contraste entre benigno e nocivo. A vida é bem matizada. Vem isto a propósito da tão badalada diminuição das capacidades cognitivas dos consumidores de conteúdos rápidos digitais.

O indivíduo cujo carácter e mundividência foram formados na era digital — seja quem nasceu nela, seja quem começou a integrar-se no novo mundo quando jovem ou já adulto — cansa-se do acessório. Uma maioria da população mais informada despreza o roer de ossos e quer ir directa ao tutano.

Em muitos casos é a abundância de dados e a facilidade de acesso aos ditos que impõem os formatos curtos. Nem tudo se resume a ignorância, simplificação excessiva ou mesmo desinformação. Por vezes, a redução da concentração prende-se com a busca deliberada do minimalismo informativo e interpretativo. O excesso de ruído invoca o refúgio na simplicidade.

Na literatura este mecanismo traduz-se na economia de vocábulos e ideias. Na expressão mais crua e seca. No privilegiar da sugestão ao invés da explicação. E numa contenção de drama, abundante na literatura de intriga mais cativante — aquilo a que chamo contar historinhas com enredo apelativo para entreter.

Noutra perspectiva, em muitos casos, não é o rigor e o apreço pelo valor que impõem as críticas aos conteúdos singelos, mas o medo do óbvio. A falta de rendilhado conceptual inútil que confere estatuto intelectual ao crítico. Em muitos círculos ser compreendido pelo comum mortal é tido como uma menoridade. Há uma enorme e ridícula necessidade de afirmação pessoal.

Não diabolizar a falta de gosto pela suposta complexidade e sofisticação, numa época em que os iluminados insultam do alto das suas cátedras a marabunta incapaz de absorver informação ou conhecimento mais detalhado e difícil, é contracorrente — até por a ladainha ter entrado no discurso dominante. Mas será um adquirido dentro de uma dúzia de anos. Pouco na vida é a preto e branco.

Dia-a-dia

Família

Hoje de manhã o Nuno e eu fomos com a minha mãe andar a pé no Parque da Cidade e na Foz. No parque destacava-se o perfume das agulhas de pinheiro. O mar estava calmo, sem ondas, nem surfistas. Sentamo-nos debaixo do sol quente junto à praia Internacional, onde o cheiro a maresia e algas era intenso. Apesar da praia estar pejada de banhistas, as águas estendidas até ao horizonte não eram as de um mar balnear amistoso. O tom de azul oceânico profundo confere aquela solenidade que impõe respeito, mesmo sem ondas.

A conversa foi solta com memórias dos alunos angolanos de há sessenta anos. Contava a minha mãe os pedidos dos alunos para que lhes comprasse sal para o capim das plantações e da proibição de venda por ser considerado “ingrediente” de explosivos. Lembrou-se também dos Caricôtos — cigarros vendidos em embalagens cilíndricas de trezentas unidades, cortadas a meio — que os alunos também encomendavam.

O meu pai ontem foi almoçar a Gaia, a casa do meu irmão F. — o menu foi salada russa, e hoje a Braga, almoçar churrasco em casa do meu irmão N. No Domingo passado deu um giro pelo Porto com o meu irmão T. acabando o périplo no café Velásquez.

Viagem adiada

Ontem estivemos a ponderar mais uma vez o passeio até Marrocos. Ainda não comprámos a viagem e possivelmente só o faremos em cima do acontecimento. Por um lado, não quero correr o risco de coincidir na data da cirurgia, por outro ainda não decidimos o programa. Não tenho intenção de fazer o circuito das cidades imperiais por ser demorado e cansativo. A ideia é ir a Marraquexe, mas há programas de seis e de quatro noites. O de quatro inclui Quarzazate e Zagora. O de seis tem a vantagem da maior proximidade do Sahara.

A questão é que não estou muito para reuniões sociais e sete dias de refeições conjuntas não me agradam. Além do que estou numa fase em que quero aproveitar as férias para descansar e não para me estafar. Isto de precisar do apoio das agências de viagem tem o óbice das correrias para cumprir calendário e pôr o visto nos lugares e monumentos visitados como se fosse uma competição.

Estudo

Na quinta-feira estive um pedaço na Bertrand a ver as estantes dedicadas à arte. Não me pareceram muito abonadas. Entre o que vi, folheei uma chatérrima selecção de ensaios de intelectuais portugueses, daqueles que escrevem para as revistas literárias em círculo fechado e para se entre-bajularem e atraírem gente medíocre e deslumbrada. Casos em que a arte é pretexto de vaidade e não substância com interesse.

Todavia, encontrei um livro que vou comprar amanhã, aproveitando os descontos da segunda segunda-feira do mês. O Livro da Arte aborda grandes ideias de todos os tempos em linguagem simples.

Entretanto, por não ter encontrado disponíveis as grandes bases da História da Arte de Janson e Gombrich na rede pública de bibliotecas portuguesas, registei-me na Open Library, onde logo acedi às obras em língua inglesa. Já fui lendo parte de uma delas, mas ainda não percebi o regime de empréstimos. Espero não ficar sem acesso por inactividade ou por não seguir os termos supostos de leitura.

Obrigada por terem lido. Boa semana.

O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.

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