É a hipocrisia institucionalizada, a forma como alguns jornais se referem às ferramentas da Inteligência Artificial, como o ChatGPT, a DeepSeek ou o Claude. O jornalismo é uma das principais actividades profissionais que utiliza estes assistentes de IA. Mais. Com impacto na informação que circula. Por essa razão, são um engodo os artigos nos jornais a denunciar a debilidade dos utilizadores da IA referindo-se à utilização pessoal, quando a utilização por jornalistas é feita para proveito profissional com consequências para a qualidade da informação veiculada nos órgãos de comunicação social. Vendem dados colhidos na Inteligência Artificial.
É de uma enorme desfaçatez ler e ouvir falar da preguiça, da falta de reflexão e desinformação do cidadão comum e dos estudantes, por aqueles que profissionalmente usam os assistentes de IA para a redacção dos artigos publicados na imprensa e exibidos nas televisões — já para não falar dos livros. É uma forma de encobrir a desinformação institucionalizada.
Em defesa da transparência deveria haver o hábito de mencionar a utilização da IA profissionalmente, na publicação dos artigos e demais informação. Mas podemos esperar sentados por um debate honesto e responsabilidade editorial. É muito mais fácil disfarçar apontando o dedo ao cidadão comum ignorante, tantas vezes mais preparado e prudente do que o brioso jornalista julgador, que vai procurar às fontes apenas a confirmação do que aprendeu na IA.
Como nota pessoal acrescento apenas que o ChatGPT é uma má ferramenta de IA. O Claude tem pretensões de sofisticação, mas é igualmente mau. A DeepSeek é mais refinada. Todos eles exageram nos elogios e criam dependência. Hoje, na tentativa de encontrar uma opção europeia, testei brevemente uma IA francesa: a Mistral. Pareceu-me melhor do que as norte-americanas. Mas é uma avaliação ainda incipiente.
Continuo a relatar tudo tintim por tintim para registo da vida real em vez da aparência que continua a dominar o espaço público.
Por falar em transparência, o meu novo guarda-chuva, dado pela minha mãe, é transparente. Estou fã. Fica a fotografia do mimo.
