Imagem gerada pelo Copilot a meu pedido.
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Na alegria de um gesto de amor genuíno. Despido, vulnerável. Frágil como tudo quanto é mais belo. No calor de uma coxa quente tocada pelos dedos do meu pé frio. A perna de quem com as mãos invernais, há vinte e seis anos, desnudou as minhas mamas mornas e descobriu um coração bom que se daria com amor.
Foram tantas as hesitações mútuas de quem não queria estragar o que é mais puro. Tantos os momentos de delicadeza e fogo nesse eterno encontro com quem hoje continua a fazer festinhas suaves ao longo do meu corpo. Na devoção que mima com o coração na ponta dos dedos. E ri ao sentir-me sobre ele só para o ver fazer caretas de prazer.
Tudo o que houve antes foi aquém; tudo o que veio depois foi além do amor mais puro. Já havíamos vivido e haveríamos de viver outras paixões sem nunca amar e ser amados como nos sabemos amar um ao outro.
É estranho e atrevido falar por dois. Da minha parte estou certa. Da parte do Nuno limito-me a acreditar por ter todas as razões para não descrer. Mais tarde, vou ler-lhe. Sei que vai sorrir e chorar; e eu feliz. Se não for verdade da parte dele, que me esconda até ao último suspiro, porque até lá acreditarei.
Da minha parte é verdadeira a paixão esmorecida, que volta a ser desejada uma e outra vez. É verdade a insatisfação, como são reais os devaneios traiçoeiros. Mas o amor ao Nuno é eterno. Um carinho sem fim pelo homem que me trouxe a vastidão de mim que desconhecia até o encontrar e reencontrar. O amor de quem confia e se entrega sem reservas; e de quem o admira.
Dizem que amamos o nosso reflexo. Creio que gostamos de descobrir o belo no outro e sabermo-nos capazes de amar. Dizem que o amor é dor. É também sofrimento, mas não pode ser só isso; seria doença. O amor genuíno é esta alegria que convive com a dor.