Omissão: a conclusão que faltava

- a geração de inconsequentes: uma teoria como outra qualquer -

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No post anterior é curioso o salto da geração dos meus pais para a minha. O politicamente correcto ordenaria que me abstivesse de generalizações quiçá injustas, mas é inelutável uma ideia antiga que se vem reafirmando ao longo dos anos: a geração dos adolescentes de 1974 com acesso aos megafones perdeu-se nas excitações e nas facilidades. No delírio. Nas respostas e nas certezas absolutas. Ainda que de modo dissimulado, ora embasbacados, ora prontos a ofender e difamar. Excessivos. Nunca lúcidos, nunca tranquilos e maduros. Nem justos. O acesso muito facilitado aos megafones resultou na mediocridade convertida em popularidade quase generalizada. Talvez por isso em matéria de escrita não tenha produzido, salvo raras excepções, talentos de primeira água reconhecíveis, apesar do muito ruído e promoção que fizeram toda a vida. E do sucesso fácil. Talvez se deva à imensa vontade de protagonismo e ambição deslumbrada, que felizmente falta em gerações mais sóbrias. Talvez se deva à incapacidade de introspecção. Perdeu-se a geração de inconsequentes.

É uma teoria, como outra qualquer, destas que agora se propagam como constatações de factos.

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