O que te passa na neura?

Imagem gerada pelo ChatGPT a meu pedido.

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É evidente que ser mais veemente, convicta e desabrida dá mais pica. Mas apesar de parecer, não é a tua praia. Gostas de ponderar, não gostas de atirar certezas à cara de ninguém, nem de chocar, nem de ofender. Se tens esse efeito, é involuntário. Não é intencional, salvo raras excepções. Em regra, reactivas.

Tal como não gostas de expor as tuas fragilidades a troco de nada. Não parece, pois não? Uma subtileza que quem acusa os outros de narcisismo não compreende. Mas por cada passo em frente, hesitas, ponderas. Só sossegas quando percebes que o testemunho pode ter um efeito útil. Não gostas de dizer: é assim ou façam assim porque isto é o certo. Preferes dizer: fiz/vi isto e deu errado, fiz/vi isto e deu certo, fiz/vi isto e nem deu certo nem errado.

Esta manhã acordaste a pensar que é possível que a vida te corresse melhor (segundo os critérios do pensamento dominante) se controlasses menos o que escreves, reflectindo de forma ainda mais fluída o que se passa na tua cachimónia. É a velha ideia do dever de não ter medo de ti própria, comum a quem cria. Ainda estás hesitante no que fazer com esta ideia. O tempo dirá para que lado tomba o pêndulo.

Tirar daqui ilações dá pano para mangas. Daria vários postais. Só não te lembras se já os escreveste e publicaste ou não. É que a sensação que tens é a de estar a bater sempre nas mesmas teclas. E aborreces-te contigo quando não te estímulas.

Durante uma conversa de hoje voltaste a lembrar-te de uma ideia fixa: é comum apontar-se aos outros erros que são próprios. É comum ver o mentiroso acusar outro de mentir, o ladrão acusar outro de roubar e por aí adiante. Com o que implicas tu? Com a falsidade, a arrogância e a injustiça? Por essa ordem de razões, serás falsa, arrogante e injusta?

Aparentemente a despropósito.

Há quem acumule feitos e troféus coisificáveis e só assim se sinta afirmado no mundo e só assim considere os outros afirmados no mundo. Há quem colha os louros sem preocupação com os meios.

Há quem plante a estaca dos loureiros, os regue e os pode. Há quem passe testemunho. Há quem colha os louros, há quem não colha.

Poucos são os que querem ou sabem fazer tudo.

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O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.

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