O mapa do dia


 



A propósito das movimentações políticas e dia-a-dia






 




Imagem gerada pelo ChatGPT a meu pedido.


 


A propósito das movimentações políticas


Como transmitir a ideia de compreensão sem a confundir com a banalização dos últimos anos do substantivo feminino “tolerância”? Nem com as tonterias* e modas da gratidão e paz interior alcançadas com a aceitação indiferenciada de todo o bem e o mal do mundo. E também sem o recurso fácil ao plebeísmo: “quem dá o que tem, a mais não é obrigado.”


Cada um traz em si percurso determinado. Único. Em diferente quantidade e grau cada um comporta diferentes traços; um perfil único. Impregnado de conhecimento e ignorância. De vitórias e derrotas. De privilégios e limitações. De sensibilidade e indiferença.


O bom senso parece aconselhar a não ser muito crítica, dada a vastidão e diversidade de perfis e aparente legitimidade. Porém há adversativas pertinentes.


É ingénuo acreditar que uma pessoa quase desprovida de sensibilidade e, por inerência, de inteligência, seja capaz de agir de modo consciente em defesa do interesse comum, pondo em segundo plano os interesses egoístas próprios ou da tribo. Só o fará sem querer, distraída ou induzida (por exemplo, pela vaidade).


É insensato acreditar na bondade de quem se aproxima do poder com imagem salvífica, içado em bandeja de santidade por tribos oportunistas. Usarão a esgrima retórica mais sofisticada do meio jornalístico e intelectual para aceder aos privilégios em época de maior instabilidade, como dita a tradição.


É inocente considerar que se engole o medo e o monstro sem perceber que ele consumirá por dentro quem se julga capaz de o devorar. Só quem não distingue o mal acha que o pode domar e acadimar dentro de si, como numa qualquer teoria tonta da psicologia analítica.


Havendo seriedade no propósito e verdadeira noção de serviço público, é um dever de lucidez saber “trabalhar” estas três subtilezas.


Convém perceber que só se combate o mal com sensibilidade (e inteligência), lisura e consciência.







 





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Dia-a-dia


Voltaram os dias de cansaço e sono. A colega E. está a trabalhar em casa há um mês e meio e dado o estado de saúde do pai, não tem trabalhado vários dias, como acontece agora. Em suma: mais trabalho. E um gabinete a dois.


No próximo fim-de-semana vou a Almada. Está a aproximar-se o aniversário da minha sogra. Preocupa-me a minha enteada. Hoje sonhei com ela. Ficarei mais descansada quando a souber em Portugal.


De resto tudo no rame-rame. Os meus dois irmãos mais velhos correm todos os fins-de-semana para o Alentejo; é destino da família. O N. porque a S. está a dar aulas em Portalegre há dois anos. O F. porque a sogra eborense não tem estado bem de saúde. Perguntei-lhe pelos meus sobrinhos; a vida familiar é harmoniosa. O meu irmão T., que como eu vive perto da empresa, aproveita tranquilamente do metroBus, a funcionar desde o fim-de-semana passado. Ontem falei com o meu afilhado, que estava no Algarve em curta deslocação de trabalho. Os meus pais parecem bem.


No início do mês fiz os desejos para Março: ser feliz com o Nuno e na vida quotidiana; escrever bem; saúde e felicidade para a família do Nuno e minha. Uma espécie de reafirmação dos desejos de fim de ano.


Creio que não tenho nada de importante mais a declarar.


 








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*Por via da minha avó materna uso sem consciência várias palavras com origem no castelhano (exemplos: tonteria, junquilho e quejando).


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O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.




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