
15. China
14-11-2021
Sendo bisneta de quem costumava usar a expressão “perigo amarelo” e de quem tinha uma amiga chinesa com quem se correspondia, neta a quem vi restaurar pintando uma a uma as peças do Mahjong e filha de quem lia com entusiasmo romances passados na China, escritos por autora lá criada e educada no confucionismo, cresci a chamarem-me a atenção para a importância de respeitar a antiquíssima civilização chinesa, mas a verdade é que dela pouco sabia ou sei, salvo apontamentos dispersos. Por essa razão, aproveitei a ronda ao mundo iniciada em Setembro do ano passado, para me introduzir a um brevíssimo esboço da História da China – fiquei pela cronologia, como não podia deixar se ser face a tamanho empreendimento. Para quê um texto/cronologia semelhante a tantos outros espalhados pela internet? Por puro gozo próprio. Sem pretensão, esta é mesmo a forma como tento perceber um pouco da história do gigante desconhecido que é para mim o país mais populoso do mundo, nem que seja à custa de um mero esqueleto que abstrai de factos tão relevantes como guerras de muitos milhões de mortos, ou êxodos de outros tantos milhões de deslocados.
Reza a tradição que a primeira dinastia da China Antiga se formou a partir de clãs residentes nas margens do rio Amarelo – era a Dinastia Xia que terá existido na idade do bronze, entre os séculos XXIII e XVII a. C.
Também em redor do rio Amarelo, entre os séculos XVI e XI a. C., sobreveio a Dinastia Shang, de que temos conhecimento pelos objectos de bronze, artigos de jade e a mais antiga forma de escrita: o oráculo dos ossos. A capital era Yin, e o território cobria a área entre os rios Amarelo e Yangtzé.
Sucedeu-lhe a Dinastia Zhou, entre os séculos XI e III a C, que dividiu o território governado por reis em estados feudais. O rei tinha controlo directo sobre uma pequena parte do território total e recebia tributos dos estados feudais. Datam deste tempo as grandes filosofias e religiões, como o confucionismo.
À China Antiga sucedeu a China Imperial. O primeiro imperador da China foi Qin Shi Huang, que a unificou ao conquistar outros estados a partir do estado de Qin. Na Dinastia Qin, entre os anos de 221 e 206 a. C., o poder foi centralizado, foram criadas leis e um sistema de escrita. Desta altura datam também grandes projectos de construção, como a Muralha da China e a Exército de Terracota.
Liu Bang, líder camponês, derrubou o impopular regime de Qin e estabeleceu a Dinastia Han, entre 206 a. C. e 220 d. C. Foi adoptado o confucionismo. Data desta altura a conhecida Rota da Seda: um conjunto de rotas comerciais que interligavam a China, a Ásia Central e a Europa. E é também nesta época que nasce um sistema de administração pública baseado no mérito, o desenvolvimento agrícola e do artesanato.
Com o declínio da Dinastia Han, impôs-se a fracturada Dinastia Jin, com o período dos três reinos e a divisão entre norte e sul. Surgiram várias religiões e o budismo tornou-se popular.
Só com a Dinastia Sui, em 581, com a usurpação do trono do norte por Yang Jian, se unificou novamente a China. A China Medieval entre os séculos VI e XIV assistiu ao crescimento constante, transformando-se na nação mais sofisticada cultural e tecnologicamente. Data desta Dinastia Sui – séculos VI a VII - a reconstrução da Grande Muralha, um sistema de exame imperial (optimizado na dinastia seguinte) para escolher os mais talentosos para lugares da administração pública e a criação de instituições governamentais que perduraram pelas dinastias seguintes.
Sucede-lhe a Dinastia Tang. Durou do século VII ao X – a época de ouro para a poesia, pintura, cerâmica tricolor envidraçada e a impressão da madeira. Após a Dinastia Tang houve divisões seguindo-se o período das 5 Dinastias e 10 Reinos.
Em 960 um reino do sul derrotou os vizinhos e estabeleceu a Dinastia Song. É desta época de uma das quatro grandes invenções do povo chinês: a pólvora. Na busca pelo elixir da imortalidade, os alquimistas ao adicionarem porções precisas de carvão ao salitre e enxofre chegaram ao huo yau.
As outras três invenções são anteriores: o papel com caracteres chineses remonta à Dinastia Han, a impressão em xilogravura à Dinastia Quing, e a bússola, que começou por ser uma agulha magnética a flutuar numa tijela de água usada para adivinhação no século II a.C., passou na dinastia Song ao formato de bússola seca suspensa.
Em 1206 Genghis Khan unificou as tribos da Mongólia e fundou o Cantonato Mongol, conquistando uma faixa da Ásia sem precedentes, estendendo o domínio mongol até à Europa Oriental no final do século. O seu neto Kublai Khan conquistou a dinastia Song e fundou a Dinastia Yuan. São desta data as viagens de Marco Polo e os relatos da cultura e das maravilhas da China.
Seguem-se as dinastias da Renascença: Ming e Quing entre os séculos XIV e XX, durante as quais a estrutura imperial piramidal - classes rica, académica, trabalhadora e escravos - começa a tornar-se inadequada para as eras da exploração, colonização e industrialização.
Após uma série de desastres naturais Zhu Yuanzhang substituiu o Império Mongol da China pela Dinastia Ming, um longo período de estabilidade com expansão do comércio marítimo para exportação dos produtos de seda e porcelana. Foi a última dinastia étnica chinesa entre duas estrangeiras. Zgu Di, filho do fundador, quando chegou ao trono, começou a construir a Cidade Proibida e tornou Pequim na capital da Império. Foi uma era de força e prosperidade, que vacilou perante desastres naturais e lideranças corruptas, caindo devido às constantes rebeliões camponesas.
No final da Dinastia Ming os Manchus do nordeste de China cresceram em força e atacaram em 3 gerações consecutivas, fundando a Dinastia Quin. Sucede assim à Dinastia Ming a Dinastia Qing nos séculos XVII a XX - a última dinastia imperial da história da China. Os dois imperadores mais célebres foram os correspondentes a era de ouro e prosperidade: Kangxi 1662 a 1722 – e Qianglong – 1735 a 1796.
As duas Guerras do Ópio, no século XIX, as respectivas indemnizações, o tráfico daquela droga e as grandes fomes que delas decorreram, afundaram a última dinastia imperial, a China e a sua hegemonia na Ásia. Nesta época a China transformou-se num país semi-colonial e semi-imperial, definindo-se o território da China Moderna.
A República da China entre 1912 e 1949 resultou da Revolução Republicana, liderada por Sun Yat-Sen, e uma longa guerra civil.
Em 1949 a China entrou na era comunista, sendo fundada a República Popular da China. De 1978 em diante alguma abertura política trouxe grande crescimento económico.
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Desta saga existem nas Comezinhas as entradas abaixo indicadas, muito desiguais entre si.
10. O espanador - Rússia e Ucrânia