Mexerufada com separadores para ficar menos confusa








Imagem definida pelo DeepSeek e gerada pelo ChatGPT a meu pedido.



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Bossa nova e café


Ontem quis muito escrever e não consegui arranjar tempo. Era tão importante o que ia dizer, que me esqueci. Hoje foi um dia quase tão trabalhoso como o de ontem. Amanhã será o último dos quinze dias acelerados. Espero a partir de Março regressar a relativa calma.


Para contrariar o ritmo acelerado ouvi muitos covers em bossa nova. Para dizer a verdade já estou enjoada da paz e harmonia, tu e eu, as gotas da chuva na vidraça da janela, a xícara de café morno, a mantinha e o caralhinho, a chuva, tu e eu, a paz e a harmonia. Tudo o que é demais enjoa.


Logo eu que desde criança sidero com o idílio de uma xícara de café entre as mãos e devaneios de paixão. Está a fazer-me falta ouvir o vozeirão da Beth Hart. Alguma revolta para quebrar a sonsice da gratidão eterna pela estupidez da vida. Haja intensidade, senão morro de tédio.


Bom, o gato veio com as meiguices e fico mais terna. Afinal estou a ouvir a Smooth fm.









Passar por cima do machismo e a escolha entre salsichas e intelectuais amadores


Havia coisas interessantes a dizer sobre machismo, bafio e hipocrisia portugueses, mas não me apetece aborrecer. Fica para outro dia.


Ainda sobre trabalhar, ocorreu-me novamente a forma desdenhosa como muitos intelectuais amadores olham para a maioria dos ofícios. Aquela velha ideia de trabalhar estupidifica e o ócio ilumina. Sei que sou um pouco (um pouco é favor) insistente nas minhas batalhas, todavia penso rigorosamente o contrário: o ócio estupidifica mais do que o trabalho.


Alheados por alheados prefiro os que produzem alguma coisa, nem que seja salsichas, aos que fabricam teses para polir o ego e, sobretudo, os que polemizam o sexo dos anjos (ou os cancelamentos histéricos dos identitários versus agressões rentáveis dos trogloditas ultra-conservadores, ou desresponsabilização colectiva versus exploração capitalista etc), convencidos que estão a descobrir os grandes segredos do universo e a definir o destino do planeta.


Estão a entreter como os das salsichas, e ao menos nestas podemos pôr mostarda e comer um cachorro. Nos primeiros ao dar-lhes atenção a única coisa de útil que estamos a fazer é dar a ganhar ao negócio dos polemistas, sejam comentadores, entertainers, jornalistas, humoristas, blogueres, ou escritores de pacotilha. E ainda por cima a viciar a governação, já que esta gente tem influência na opinião pública que, por sua vez, determina o rumo das decisões. É um mundo sujo e, por consequência, desacreditado.









Mea culpa


Concluí hoje que sou responsável por mais uma precipitação. Vão achar-me parvalhona presumida, mas o facto é que o ritmo mental acelerado leva-me a perceber que extenuo-me a esperar que cheguem às conclusões a que cheguei há meses, há anos, há décadas. E a compreender o atraso: quando vêm já não fazem sentido ou não têm efeito útil.


Não imaginam quão frustrante pode ser ver vingar a mentalidade que tínhamos na adolescência, sabendo que está errada face aos dados e necessidades do presente. Não fazem ideia como é irritante ver gente adulta e bem-sucedida perorar com muita audiência, esgrimindo argumentos que usámos há mais de trinta anos e agora são obsoletos, mas paradoxalmente correspondem às modas e poder emergente.


Posso estar enganada. A realidade pode configurar a velha instituição que só perdura se mostrar resistência ao progresso e às evidências do tempo. Será uma razão da sobrevivência do mundo? Ou das elites que não podem perder a autoridade?


Repare-se que falo em aceleração e não em perfeição. O ritmo é acelerado, porém cheio de imperfeições. Talvez esteja aí o busílis da questão: o tempo infindo que demoram a dar razão à evidência, deve corresponder ao necessário para polir a exequibilidade do pensamento.




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