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Viver com um homem inteligente e terno, seguro de si o suficiente para não sentir necessidade de ofender ou enganar como forma de afirmação leva-me a hesitar em descrever modos mais grosseiros e nocivos de masculinidade. Além de mais, ter encontrado ao longo da vida entre amigos um ou outro homem compreensivo e respeitador da inteligência e independência das mulheres ajuda a moderar a crítica ao machismo arreigado português.
A regra não é a do respeito pelo real valor feminino, antes a da repulsa e da agressão ostensiva ou velada. Acompanhada pela promoção das mulheres e dos homens da mediania apadrinhada que perpectuem a estigmatização das mulheres independentes. Ludibriando a verdade ao fazer de conta que defendem a igualdade, enaltecem quem não tem mérito especial a troco de alimentar o ego e as redes de interesse dos promotores.
Nada me espanta nos números da violência doméstica, nem dos homicídios de mulheres, nem no número de agressões sexuais, nem na disparidade salarial de género, nem no humor sexista, nem no recrudescimento anti-feminista, nem nas narrativas contra as alegadas puritanas, nem na desculpabilização das agressões e injustiças. É o nosso caldo medíocre.
Vivemos a apajar homens medíocres que insultam as filhas, irmãs, mulheres, amigas e desconhecidas desde que nascem, ridicularizando as suas escolhas. E a tolerar mulheres que os apoiam. Mais do que não incentivando a autonomia das mulheres, destratando as suas escolhas, escarnecendo as suas decisões. E a troco de quê? De palco, para continuar a exibir a profundíssima estupidez e ignorância. A troco de protagonismo troglodita.
Vem isto a propósito de uma reacção que registei ontem à tarde. Face a uma decisão de uma filha maior e vacinada, o pai desconsiderou-a e ofendeu-a, não parando para pensar um segundo no sofrimento que provocava.
Ao homem ditador e medíocre interessa sobretudo o show de exibição da sua chico-espertice. Enunciou meia-dúzia de contrariedades da decisão da filha, insistindo repetidamente para que o ouvisse, radiante com a actuação teatral daquilo que está convencido ser a sua própria inteligência. Quando é e foi toda a vida um homem limitado de ideias, prepotente, mesquinho e preconceituoso.
Obviamente, não quis saber do facto da filha já ter calculado toda essa meia-dúzia de contrariedades e bastantes mais que a luminária não viu. O que não passa pela cabeça do agressor é que a filha saiba tomar decisões considerando os prós e contras e sobretudo que não precise do aval de mentecaptos.
E o mais curioso de tudo é que num momento prévio a filha estivesse genuinamente preocupada com o pai, apaparicando-o. Este é o drama das mulheres. Ao serem ingénuas, criam ou ajudam a perpectuar o domínio de homens perversos que ao longo da vida as prejudicam e ferem, desrespeitando e enganando sem o menor remorso, por mera vaidade e prepotência.
Por experiência própria sei que este é um dos posts que cria aversão. Estou habituada a ser lida, salvo raras excepções, com mais agrado quando sou mais doce ou inócua. Porém, já não tenho idade para me deixar enganar. Não procuro aplausos ou promoção da minha mediania, mas sim respeito pelo meu efectivo valor e escolhas.
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A fotografia foi tirada ontem, no passeio nocturno depois do jantar muito barulhento no restaurante do parque com cerca de trinta crianças entre os dez e os doze anos a cantar a plenos pulmões músicas como Thriller, de Michael Jackson e I Will Always Love You, de Whitney Houston. Músicas com 44 e 34 anos, que ainda fazem a alegria da pequenada a viver aqui as férias de forma muito livre. A vida dos simples.