Gatos, escritores e antídoto

- antídoto para pedantismo e pretensiosismo -

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Gatos

Durante os últimos trinta anos e, especialmente, nos locais de trabalho, dei por mim em certas ocasiões a desdenhar das gracinhas dos gatos. Os intervalos para café eram particularmente penosos quando os convivas competiam com historinhas sobre as habilidades dos seus gatos. Para ser franca, quando chegavam ao ponto de trocar visualizações de vídeos com felinos, eu desandava muda a conjurar contra a debilidade mental.

Em criança convivia com cães e gatos e era feliz com eles. Gostava de brincar e cuidar. Depois, durante a juventude e a vida adulta até há cinco anos, deixei de lidar diariamente com bichos. Isso embruteceu-me. Passei a ser um tanto insensível ao mundo animal.

Tudo mudou com a vinda do Ritz, a 22 de Fevereiro de 2021, cá para casa. Dou por mim no parque a sair às sete da manhã do bungalow para dar um pouco de fiambre a uma gata que está ainda em fase de amamentar as duas crias, lindas de morrer, como tudo o que é pequenino. Uma vez por outra não resisto a ver um vídeo de gatices. Aparvalhei e sinto-me bem com isso.

E mais do que tudo, passo bom tempo a festinhar e brincar com o Ritz como no último dia, com o regresso a casa - ele não sai de perto de mim e presenteia-me com marradinhas e beijinhos. E pedidos de colo.

O Ritz devolveu-me a meiguice e o instinto maternal aplicado à bicharada. Os bichos apelam aos nossos bons sentimentos. Fazem-nos mais palermas e mais sãos. Mais humanos.

Escritores

Ontem estive a conversar comigo mesma acerca dos mais relevantes autores portugueses dos últimos cinquenta anos: Agustina Bessa-Luís, José Saramago, António Lobo Antunes, Lídia Jorge e Gonçalo M. Tavares. Mantenho comigo mesma a parte da conversa que pode originar ruído, polémica e frivolidade. O mundo não precisa de mais exibicionismo literato. Muito menos de pretensão ignorante, em que se traduziria qualquer tentativa minha de me mostrar íntima destes autores. Mais tarde escreverei sobre ideias. Retirarei nomes, etiquetas e rótulos para não atrair a superficialidade dos catalogadores e larápios furtivos. Se há coisa pobre de espírito é elencar para catalogar. Prefiro deixar só o elenco. Os ossos despidos e não ultrajados por opinião menor. O que vier mais tarde (se vier) virá solto. Mas fica para a madrugada, entretanto há muita cera a fazer.

Antídoto

Abrir os posts com gatos e esoterismo e recusar mostrar-me muito leitora e conhecedora é o antídoto para o pedantismo e a pretensão. 

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Até mais logo                                           

Acrescento só que é muito bom estar de férias. Pela milésima vez: creio que me darei bem na reforma, que nunca mais chega.

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