Imagem gerada pelo Copilot a meu pedido.
Sexta-feira, último dia de férias. E que bem souberam. Não foram corridas como as das visitas a alguma cidade ou praia europeia dos últimos anos. Nada contra, também te deram prazer e delas deste conta. Mas estas foram feitas de descanso e deleite. Com o calor a pedir mais pele à mostra. Mais horas de sono e quase todas dentro de horários razoáveis, salvo no excite dos primeiros dias.
Estás a ler com dificuldade Se Numa Noite de Inverno Um Viajante. Não por falha do autor, mas por a edição ter letra demasiado miúda para os teus olhos pitosgas. Optaste por tirar os óculos e aproximar o livro do nariz. Razão acrescida para demorares e o romance render.
Ontem estavas tão imbuída do teu sono que nem deste pelo Nuno ligar a televisão para seguir o jogo da selecção. Nada. Dormiste sem o mais leve sentido do que acontecia à volta. E como precisavas de dias assim, de repouso puro.
Uma pequena aranha sobe e desce a parede em frente ao computador; lá atrás na sala a Smooth Fm toca pela enésima vez músicas que conheces desde sempre. Não te cansas. Cada vez tens menos vontade de impressionar.
À voracidade e à excitação vácua tudo parece morno e sensaborão. Rotineiro. Tanto melhor. O teu espaço aumenta como um deserto ou oceano e deixa que as tuas palavras respirem. Não queiras fazer sentido no exíguo carreiro da conformidade e aceitação.
Deixa-te ficar pelo comezinho e pela aparência de eterna adolescente incompreendida. Afinal não é esse o papel de todos quantos abrem caminho? Continua a fazer o teu Paris-Dakar sem carta de condução. Mundo amplo e arejado.
E repousa neste último fim-de-semana antes de retomares o trabalho. Ouve enternecida os suspiros do Ritz a dormir deitado junto ao computador. E na segunda-feira cumpre o dever até teres direito à liberdade que a reforma te dará para viver com mais pele ao léu e mais tempo para escrever.
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O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.