
Votarei em António José Seguro, como declarei logo no dia 18 de Janeiro, no momento em que saíram os resultados da primeira volta das eleições presidenciais.
Votarei sem um pingo de entusiasmo. António José Seguro representa um retrocesso em Portugal. Apoiará o Governo na visão conservadora com resistência às mudanças sociais e na defesa de uma economia de mercado sem regulação que beneficia os interesses instalados. Não porá em causa as múltiplas injustiças e corrupções da sociedade portuguesa, manterá um discurso e uma acção de aparência que encherá o espaço público de vácuo.
Sucede que o outro candidato, André Ventura, mais do que uma pessoa sem educação, é perigoso e impreparado. Não será Presidente, estando apenas a ganhar elã para as próximas legislativas, nas quais representará mais perigo.
Se ganhasse, imporia um retrocesso ainda mais acentuado do que António José Seguro na presidência. Além de nos envergonhar: em vez de um humanista, como tem sido regra, teríamos um aspirante a troglodita em Belém. É um vendedor da banha da cobra: usa e abusa dos valores tradicionais e da falsa religiosidade, da suposta insegurança, do nacionalismo bacoco e da discriminação dos imigrantes para convencer a população mais desinformada, os oportunistas sedentos de poder arbitrário e os ultra-conservadores privilegiados a quem convém um país atávico. Não tem uma ideia válida para a economia portuguesa. Se algum dia chegar a Primeiro-Ministro, chegará sem ter a menor ideia como se governa um país, rodeado da pior escumalha da nossa sociedade.
Como nota um tanto a despropósito digo que é aviltante a forma como nos últimos anos se tem tratado a questão da imigração. Como cata-ventos, os políticos com responsabilidade e os múltiplos comentadores têm variado de opinião ao sabor do mais puro oportunismo: ora são bem-vindos, ora são malquistos, ora são imprescindíveis. É vergonhoso que uma nação com uma diáspora como a nossa não tenha mais respeito pela raça humana, venha ela de onde vier.
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O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.