Cá estamos no Parque de Angeiras e começo a escrever depois de jantarmos e de estarmos um pouco sentados no alpendre do bungalow. A saborear o ar fresco da noite. Vendo crianças passar em pequenos bandos com uma bola de futebol e a romper com as vozes cristalinas o breu da noite, ou um homem de meia-idade equipado com uma lanterna a lembrar as antigas candeias. No bungalow do lado, dois casais e uma criança conversam animados depois de um petisco feito no fogareiro.
Aqui vivemos outro mundo. À chegada tivemos uma gentileza inesperada. Como costumámos vir de Bolt, saímos para fazer o check-in na recepção e seguimos a pé pelos caminhos do parque a carregar a mala e a mochila até ao bungalow. Hoje um dos funcionários do parque veio pousar as malas no alpendre e pudemos vir de mãos a abanar. Nem nos hotéis banais temos estas mordomias. Vir para cá começa a ser regressar a uma pequena aldeia de que gostamos e onde nos conhecem e são afáveis. Faz-nos sentir bem.
A noite passada foi particularmente generosa. Estive na conversa com o meu sobrinho durante seis horas consecutivas. É bom vê-lo bem e a argumentar com razoabilidade e delicadeza. Em quase tudo discordámos, mas ao contrário do habitual com outras pessoas não fiquei nem um pouco agastada com opiniões que vão em tudo contra o que defendo. Porquê? Por sabê-lo são. Por saber que acredita genuinamente na bondade das medidas que defende, fruto das circunstâncias em que viveu. O percurso de vida é determinante nas escolhas políticas de cada um.
Além deste motivo de rejúbilo, ontem tive outro. Deixarei de ouvir um eco que me perturbava sempre que publicava o que escrevo. Uma caixa-de-ressonância que originava uma certa belicosidade dos meus posts. Espero saber aproveitar a oportunidade e de agora em diante ter juízo para encetar um registo mais sereno.
A partir de amanhã aproveitarei para nadar e ler, gozar a vida em férias. Por agora vou ficar aqui no computador a deambular.

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O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.