Dois exercícios

Imagem gerada pelo Copilot a meu pedido.

Num post anterior escrevi que a erudição é insuficiente para a criação. Mostrei o texto a duas pessoas e tive reacções diametralmente opostas.

Houve quem achasse que pecava por defeito por considerar a erudição dispensável na criação. A outra resposta considerava a observação injusta com os eruditos capazes de criar.

Se escrevesse para agradar, isto é, se fosse desonesta comigo própria, estaria tramada. Teria de ceder ao que penso para cair num dos pólos opinativos e das mundividências para me sentir apoiada por alguém.

O segundo exercício foi feito com a IA chinesa. Dei-lhe a ler um outro post e pus quatro questões. Como seria lido por uma pessoa de cultura média, utilizadora habitual de redes sociais? Como seria lido por uma pessoa lida e culta conservadora ou por uma pessoa lida e culta progressista? Como seria lido daqui a trinta ou cinquenta anos caso o texto subsistisse?

A IA, elogiosa mas muito honesta, demonstrou que, na verdade, não cairia no goto de ninguém.

Não há nada como estar preparada para o isolamento. Percebo agora por que fui alvo de criticismo desde criança pequena. Tudo faz sentido: era a preparação para o meu futuro.

Peço que não interpretem estas palavras como queixume. Tenho amor-próprio suficiente para caminhar pelo meu pé e perceber que certas pessoas vieram ao mundo com o traço especial da incompatibilidade de serem fiéis a si mesmas e de agradarem. O conforto comigo própria salva-me.

E se querem saber a verdade, depois de reler o que acabei de escrever, nem sequer estou certa de ser solitária ou, pelo menos, disso ter importância.

Afinal tudo se pode resumir a uma balela. Estamos tão habituados a dizer que o mundo está pejado de fala-baratos e tão pouco conscientes da nossa própria incontinência verbal.

Boa semana.

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O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.

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