Diário 7 de Setembro de 2026

- soltar a realidade -

Leitura no Medium

Pela segunda ocasião escrevo o diário de fim-de-semana à segunda-feira. Descanso, oblige. Vou abreviar bastante. Como de costume, o artigo que deu origem ao resumo que se segue está disponível no separador Activity.

No post que escolhi hoje a pintora descreve a inspiração e defende a espontaneidade de começar a pintar sem pensar demasiado — defende a acção por contraposição ao indesejável excesso de reflexão. Conta a autora que depois de dar uma aula deixou em cima da mesa a composição de frutos, legumes e flores. Enquanto decorriam os exercícios teve de se concentrar em partes da composição e em dar resposta às perguntas dos alunos, mas mais tarde vendo a natureza-morta à sua disposição teve o impulso espontâneo de pincelar. Fez um esboço de aguarela fluida e colorida do movimento das flores e dos reflexos do frasco. Num segundo momento deixou apenas algumas flores sobre a mesa e fez uma pintura abstracta a óleo, usando espátula. A pintora confessa que se quer aproximar da linguagem abstracta. É curioso como este artigo condensa os vários posts que lhe li no último ano: processo de aprendizagem, impulso, técnica ao captar movimento e cor, vidro e reflexos.

Absurdos e liberdade

E se, em vez da lógica e da lucidez, usasse este espaço de pensamento entre a leitura e o dia-a-dia para o estapafúrdio? E se contasse o improvável e o absurdo, voltando à tese dos cookies do cérebro? Se estivéssemos de facto ligados em rede pela energia que envolve a massa encefálica e quase tudo estivesse predestinado ou, pelo menos, houvesse um sentido congregador? A tal mão de maestro universal. E se o rosto bonito e a voz meiga do rapaz negro de dez anos da viagem de autocarro de hoje, fossem indícios do Rei de Copas do Tarot da madrugada de Domingo? E se o jardim desejado de há dois anos tivesse ficado suspenso como os da Babilónia à espera de que conte a história? E se fosse possível manifestar realidade através do pensamento como defendem as bruxas e as esotéricas que oiço? E se a realidade e a ficção caminhassem de mãos dadas quais mãe e filha clarividentes? Se vingasse a liberdade?

Dia-a-dia

Passei parte substancial do fim-de-semana a pensar e conversar acerca do fundamental da vida. Por essa razão, nada há a declarar em diário. Haveria sempre assuntos laterais que podia expor, mas tenho sono. Não me apetece.

A fotografia é do papel afixado por um vizinho no elevador e na porta do prédio onde vivo. Tenho vizinhos muito liberais, seja nos consumos, seja nas chamadas de atenção. O tema? O cheiro intenso a canábis nas zonas comuns.

Obrigada por terem lido. Boa semana.

O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium

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