Diário 31 de Agosto de 2026

- o balanço sobre explicação a mais -

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Leitura no Medium

O presente diário de fim-de-semana vem com um dia de atraso e começa, como habitual, com a leitura sobre pintura. O artigo que deu origem ao pequeno resumo que se segue está disponível no separador Activity.

A autora debruça-se sobre a tela Viva La Vida (1954), de Frida Kahlo, uma natureza-morta com melancias suculentas, eternamente frescas. A celebração da vida, do amor, da superação do sofrimento e da cultura popular mexicana. O artigo chama a atenção para a forma como a obra evoca as oferendas do Dia dos Mortos, e a sugestão para que sejam lembrados pela alegria e não apenas pelo luto. E recorda a imagem exuberante e a vitalidade criativa da artista que transcendia a dor física e as dificuldades pessoais que a fustigavam. A autora conta ainda como o marido de Frida Kahlo, Diego Rivera, morreu três anos depois e pintou também uma natureza-morta com melancias, mas já a murchar, numa espécie de diálogo entre amantes, uma «carta de amor póstuma».

Agenda de ideias

Costumo criar agendas para registar ideias a desenvolver no futuro. Hoje aproveito o próprio diário — economizo no anúncio de texto vindouro.

Quero escrever um post acerca de “explicações”, isto é, da ponderação entre duas realidades na moda apesar de contrárias: a necessidade de esclarecer minuciosamente as razões para certas opiniões, atitudes e escolhas e a arte sofisticada de deixar tudo em aberto para que haja liberdade de interpretação. São duas tendências, a primeira advém da suposta instrução e conduz à exaustiva verborreia, a segunda, mais literata, pode traduzir-se em relativismo manhoso.

Dia-a-dia

No fim-de-semana regressámos a casa depois dos dois dias no parque e de muitas pequenas arrelias. Vou poupar quem me lê ao relato; afinal, são apenas contrariedades que só fazem mossa pelo cúmulo num curto espaço de tempo. Se ainda trabalhasse com um antigo colega, diria que é Mercúrio retrógrado, mas nunca sei a posição e aspectos dos astros. Acabei de perguntar ao Dr. Google. Respondeu que Mercúrio não está retrógrado. Então deve ser praga de algum inimigo de estimação.

Depois deste momento de esoterismo e bruxarias, conto que ontem foi dia de lanche com os meus pais, irmãos, cunhadas e sobrinho. A razão para nos juntarmos? A obra de Dezembro passado. Queria que vissem a sala sem parede para a eventualidade remota de vendermos a casa. Foi um par de horas simpático e muito conversado. Uns mais animados, outros mais murchos. As ondas da vida fazem com que os altos e baixos do percurso toquem a todos.

Podia esmiuçar os feitios, estados de espírito e ditos, mas prefiro contar o menu e dizer que usei uma toalha de chá de linho — pequena para a mesa esticada — do enxoval da minha avó. Uma táctica de muitos portugueses. Falámos muito de comida e acessórios e economizamos no fundamental para resguardar razões e sentimentos dos mais próximos. Assim continuemos, não importando excessos elucidativos.

O cardápio do lanche foi singelo. Nos salgados: pão de mistura e de abóbora e noz, bolachas de água e sal, queijos de vaca, ovelha e cabra, presunto, patê de azeitona e húmus clássico de grão-de-bico e manteiga. Na fruta: apenas mini kiwis e mirtilos. Nos doces: palmiers e biscoitos de canela, compota de framboesa feita pela minha cunhada M. R. e éclairs de sabores variados da Leitaria Quinta do Paço. Para beber havia Alvarinho, cerveja, sumo de laranja e Coca-Cola. No fim, poucos tomaram café.

Não adjectivo nem conto histórias acerca de cada ingrediente, nem lhes chamo iguarias, para dar efeito literário ao diário. É tudo ao simples. Uma sensaboria, já se sabe. Deixo as fotografias alusivas, até do frigorífico — sem ponta de decoro nem sofisticação. Uma estucha. Nem sequer vario as ironias.

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