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Escrevo na véspera do regresso ao trabalho, depois de 15 dias de férias. O calor aperta e por minha vontade ficaria em casa outras duas semanas. Mas o rame-rame vai retomar e hoje é dia de resumir as leituras escolhidas aqui do Medium. Já sabem, têm no separador Activity os textos originais, base das minhas sínteses.
Leituras do Medium
Pintura
Começo por escolher um artigo sobre uma folha de álbum da tradição chinesa na qual pintura, poesia e caligrafia formam uma unidade artística. O autor conta-nos que a pintura — intitulada Paisagem com Ameixoeira e Bambu ou Erudito numa Cabana de Colmo, de Shen Zongqian, um artista e escritor que viveu na China no século XVIII, durante a dinastia Qing -, exprime o conceito de “reino puro”, um estado de harmonia entre o ser humano e a natureza. Reflectia o ideal dos literatos chineses de encontrar a paz interior através de uma vida simples e contemplativa. O autor conta que a obra representa o erudito retirado numa cabana simples, rodeado pelos “três amigos do Inverno”: o pinheiro, o bambu e a ameixoeira. O pinheiro, que se mantém verde quando neva, simboliza a lealdade e firmeza de carácter. O bambu, que é flexível, representa a resistência através da capacidade de adaptação sem perder a força interior. A ameixoeira, que floresce ainda no inverno, simboliza a esperança, a renovação e a coragem para continuar. Ensina ainda o autor que, ao estabelecer uma ligação à poesia da dinastia Tang (governou entre 618 e 907), a imagem recorda que a verdadeira riqueza reside na profundidade moral e espiritual, e não nos bens materiais.
A desinformação e o apelo à emoção
No segundo artigo que elegi, a autora fala-nos da nova vaga que varre o mundo dominado por um sistema de algoritmos, bots e inteligência artificial que privilegia o envolvimento pela emoção e consequente interacção que proporciona em vez da verdade. A autora recorda que as histórias falsas são estruturalmente mais interessantes. A verdade tende a ser complexa e menos satisfatória. Uma mentira pode ser simples, directa e emocionalmente completa. Mais sedutora — será a tal romantização que tantos procuram no meio digital, digo eu. Daí até ao aproveitamento pelas plataformas digitais e a transformação da atenção humana numa economia de lucro é um pulo. A raiva e o choque geram mais valor do que a precisão. A autora acrescenta que grande parte do tráfego online já não é humano e que muitas narrativas políticas e sociais são espalhadas de forma artificial. Além disso, o poder das grandes tecnológicas contribui para um ambiente digital mais manipulado e menos transparente. Passou a ser secundário distinguir entre verdade e falsidade, o que interessa é o impacto e o lucro.
Dia-a-dia
O calor deixa-nos moles, preguiçosos. Li um título no jornal com uma ideia antiga que sempre achei feliz: a civilização nasceu do frio. Ainda assim nem tudo é mau. Já lidei pior com o calor. Hoje tolero-o com galhardia. Sofro como todos os europeus sem ar condicionado em casa e a ideia de regressar ao trabalho até é mais leve com a perspectiva de passar oito horas com climatização.
Sobretudo estou consciente da sorte de não passar pelos sustos e tragédias dos meus compatriotas a residir no interior do país, ameaçados pelos incêndios. Registo a forma digna dos testemunhos que ouvi ontem de pai e mãe de crianças pequenas que ficaram sem casa.
De resto, nestes últimos dias preocupou-me a saúde da T., que foi submetida a uma pequena cirurgia no hospital. Temos conversado através de mensagens. E mais uma vez se revelou uma guerreira.
Hoje falei com os meus pais para saber como sobrevivem ao calor. E com o meu irmão N. Tudo a rolar com normalidade.
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As fotografias não são de hoje, mas do jantar de quinta-feira passada. No Caseirinho, em Massarelos. Comida simples e saborosa. O que vêem na minha travessa foi o nosso almoço do dia seguinte. É o que dá as doses abonadas dos restaurantes cá no norte do país.

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O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.