Diário 17 de Maio de 2026

Leituras no Medium

Antes de mais, a advertência costumeira. No início destes diários de fim-de-semana limito-me a resumir leituras que fiz aqui no Medium. Os posts originais, a cujos títulos e autores não faço alusão para não me colar, estão disponíveis no separador Activity.

No primeiro texto eleito, o autor apresenta-me o fotógrafo húngaro André Kertész que, no início do século XX, começou por fotografar de forma autodidacta ciganos, camponeses e a vida rural. O admirado e reconhecido fotógrafo Cartier-Bresson considerou-o fundamental na fotografia de rua. Na frente da Primeira Guerra Mundial, focou o comezinho, o homem comum, não vendo a guerra como um evento trágico ou heróico. Entre 1925 e 1936 viveu a sua fase mais feliz em Paris, compreendido no meio artístico. A partir de 1937 em Nova Iorque sentia-se preso e incompreendido, agarrado às encomendas de revistas comerciais norte-americanas. O autor conta que só aos 70 anos foi redescoberto. O seu lema era fotografar a vida como ela é, sem encenação. A vida natural, em movimento. A ênfase estava na expressão pessoal e não na técnica. Fundou o que chamamos fotografia de rua, com uma perspectiva não convencional à época: vistas altas, sombras, reflexos e distorções.

No segundo post, o autor traz-nos um debate de 1967 entre Hannah Arendt e Noam Chomsky, sobre a legitimidade da violência. Noam Chomsky vê a questão como moral dizendo que deve ser evitada sempre que houver alternativa (quase sempre) sendo a questão fundamental, a consciência de quem a comete. Hannah Arendt distingue entre questões morais que se focam em nós mesmos e questões políticas centradas no mundo. O ponto não é: somos bons? Mas sim: a violência é legítima para criar mudança social? E distingue poder de violência: «A violência surge da impotência. Pode destruir o poder, mas nunca o substitui.» Daqui o autor da entrada faz decorrer uma consequência importante: é preciso averiguar se os activistas têm uma estratégia para que o poder lhe seja transferido legitimamente após a revolução. Sem isso é impossível criar a mudança social.

A terceira entrada é um resumo do livro Sapiens, de Yuval Noah Harari. E o pecado mortal que vou praticar é resumir o resumo. Trata-se de um olhar de pássaro sobre a evolução da espécie humana por quatro fases. A revolução cognitiva, com o desenvolvimento da linguagem complexa e da cooperação que permitiu que os sapiens migrassem de África para se transformarem na espécie dominante no planeta. A revolução agrícola que transformou a vida nómada em sedentária, a domesticação de plantas e animais e a concentração em “cidades”, trazendo também as hierarquias sociais e desigualdades económicas. A unificação da humanidade através do comércio, a construção de impérios e a criação de sistemas legais que propiciaram a cooperação, e a propagação de religiões. E a revolução científica, com a transformação da compreensão do mundo, que levou à revolução industrial, ao capitalismo e imperialismo. O autor conta ainda que Yuval Noah Harari reflecte sobre o impacto do humano sobre o planeta, com a degradação ambiental e as desigualdades e os problemas que o progresso tecnológico comporta, nomeadamente, nas questões da saúde e distribuição desigual dos recursos. O autor sugere a importância de partilhar informação e de manter uma vida física e mental sã. Além de defender a curiosidade científica, a responsabilidade ambiental e o debate ético sobre as novas tecnologias.

O dia-a-dia

Ontem, Sábado, foi rematado com um jantar abreviado. Chá preto com torradas e pastéis de nata. Não me apeteceu cozinhar. E para ser franca soube-me muito melhor do que o jantar convencional.

Começou com a sementeira de erva para o gato e a organização dos sapatos desta casa. Tirei-os todos para fora do armário. Cheguei a fotografar, mas não vou publicar a sapataria por prudência. Separei dez pares para dar e deitei um par ao lixo. Juntei ainda mais um saco de roupa com o mesmo destino. No próximo fim-de-semana tenciono tratar de papéis. Tenho contas de água, electricidade e comunicações dos últimos vinte anos para deitar fora. Mais papéis diversos, que opto por guardar por tolice ou preguiça de decisão.

De tarde estava cheia de frio e meti-me na cama, envolvida em muita roupa. Quase voltei a usar a botija de água quente. Não se imagina a confusão que me faz ver gente de manga curta por estes dias. Fico arrepiada. Mas para ser franca já reparei na pele de algumas pessoas que se passeiam na rua com blusas sem mangas e vejo que a pele está empolada do frio. Este desacerto sempre me fez confusão.

Esta manhã de Domingo assisti a uma bulha territorial entre um melro cantante e duas pegas que o tentavam afastar aqui no jardim dos vizinhos. Impressionou-me porque o melro, apesar do pequeno porte, barafustou sempre e foi várias vezes na direcção das duas pegas para as repelir. Fizeram bastante chinfrim antes das oito da manhã.

Obrigada por terem lido. Boa semana.

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O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.

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