Passou mais uma semana. E constato de novo que longe vão os tempos de sentir angústia ao final da tarde de Domingo. E das manhãs agarrada à cama, com dificuldade em acordar. E das horas para adormecer. Já lá vão bons anos de vida com sentido.
Os projectos
Mantenho a vontade de seguir com a Agenda moralista. Mas, como já repeti diversas vezes, custa-me conceber cenários e enredos. Há uns dias, perdi a noção de quantos, pensei em fazer uma espécie de libreto de ópera. Uma coisa bem simples e despretensiosa, mas assim que comecei a escrever, pus as personagens a debitar modos de estar na vida e posições ideológicas. Ao reler apercebi-me do evidente: na ficção devo criar e não argumentar. Pode ser que na próxima semana consiga continuar a saga.
A fome, a guerra e a miséria humana
Há quem não considere apelativo tratar o tema da fome em termos literários. Com lábia acusam os que a recordam de oportunistas, de explorarem o sofrimento alheio em proveito próprio ou em nome do bicho papão do comunismo. Os mesmos que acham sexy o tema guerra. E todas as perversidades que revelem os instintos primários dos homens. Como manipulação e corrupção política e desportiva, sexo forçado, drogas, bullying. A sedução vale mais pela comoção frívola que provoca a intriga associada a estes extremos de putrefacção humana, do que pela sensibilidade ética. Não se trata de compreender e proteger quem está numa situação de vulnerabilidade severa e injusta, mas ficar excitado ao testemunhar a acção de incutir emoção ou infligir dor e a experiência do sobressalto e do sofrimento humano. Trata-se de avidez intelectual pelo poder arbitrário, raiva e mórbido. Nalguns casos, não só apreciam observar como alinham activamente em práticas sórdidas. Sentem-se uns reizinhos.
O livro e as maçãs
Hoje li um pouco mais do romance A hora da estrela, de Clarice Lispector. Podia ter terminado em vez de escrever este post. Afinal lê-se num instante, de uma vez só, como de resto a maioria dos livros que leio. Mas não, faço render. No feriado de Carnaval ou no próximo fim-de-semana termino. Não tenho pressa nenhuma. Não concorro para tonta. Para sobremesa do jantar voltei a assar maçãs com vinho do Porto. Delícia singela.



As próximas semanas
As duas próximas semanas serão de mais trabalho. Além de ter de resolver com as seguradoras as questões relativas às infiltrações. O que me aborrece, como se pode imaginar. O Ritz vira-se e suspira. Aqueles suspiros de bem-estar que enchem a alma.