Diário 12 de Julho de 2026

- sensibilidade -

Leitura no Medium

Hoje volto ao já costumeiro resumo de um artigo lido aqui no Medium acerca de pintura. Quem lê a minha página já sabe que não faço referência ao título dos artigos e nomes de autores por não querer apanhar boleia do talento alheio. O que nunca deixo de fazer é mostrar que, nestes inícios de diário de fim-de-semana, me limito a fazer a síntese do que li de outros, e que podem ler aqui no Medium. O texto original está como habitual no separador Activity.

À semelhança de um anterior post com outras expressões de arte aprendidas com o autor no ano passado, desta vez conheci três termos artísticos que permitem apreciar a arte com mais profundidade, reconhecendo tradições artísticas e escolhas dos pintores: quodlibet, cartellino e musca depicta.

Quodlibet é um tipo de natureza-morta com efeito ilusionista, marcante na arte europeia entre os séculos XV e XVIII, que representa painéis e porta-cartas pejados de papéis, cartas e objectos do quotidiano. O objectivo é criar a ilusão convincente de que os objectos podem ser tocados ou retirados da pintura.

Um precursor do quodlibet é o cartellino, um pedaço de papel ou pergaminho pintado de maneira tão realista que é ilusionista, isto é, parece preso à superfície da obra.

Com a mesma intenção de ilusão surge a musca depicta, uma mosca representada de forma tão convincente que não raro leva os observadores a tentar afastá-la antes de perceberem que também foi pintada.

Desta vez por preguiça não fiz referência às telas mencionadas como exemplos pelo autor. É uma questão de observarem e lerem o artigo em causa.

Reconhecimento da delicadeza

Ao envelhecermos temos a tendência de considerar que no tempo em que éramos mais novos havia mais educação e menos agressividade. Toda a vida contrapus estes argumentos dos mais velhos dizendo que em todas as gerações houve malcriados e agressores.

Mas ainda há pouco dei por mim a pensar no que me repele na ficção moderna, no tom acintoso do pensamento dominante e na razão para me sentir cativada por nichos cada vez mais destoantes das veemências agressivas e no contrapeso fingido das filosofias e psicologias de algibeira. Estas últimas mais não fazem senão interpretar o papel de exemplar executor das verdades das modas.

A simplicidade e delicadeza genuínas contrastam com os lugares-comuns das conversas de bom desempenho das competências sociais.

Sou cada vez mais sensível à diferença entre ser genuinamente educado e produzir imagem de boa educação para ficar bem na moldura.

A fidelidade de uma leitora com critério não brota do artifício. O conhecimento, o talento e a arte merecem reconhecimento. E se ao talento se juntar a beleza e delicadeza, a leitora percebe a dádiva, reconhecida.

Vem isto a propósito não só das minhas leituras habituais acerca de pintura aqui no Medium, como sobretudo da poesia e contos de um autor japonês que sigo há dois anos e podem acompanhar através do separador Activity.

Dia-a-dia

Ontem foi dia de irmos a Almada e já nos encontramos a regressar. No preciso momento em que escrevo estamos parados em Coimbra-B.

O Nuno soprou as velas dos 61 anos, espetadas numa tarte de amêndoa, ao som dos Parabéns a Você, cantados pela mãe, por mim e por ele próprio, que é o único afinado. O repasto bem alentejano: jantar de grão precedido de sopas do mesmo (fatias de pão alentejano regado com o caldo do grão com farta hortelã). Uma tarde de conversa solta entremeada com telefonemas.

A mais difícil das chamadas telefónicas foi a do meu pai. A companheira, há dois anos diagnosticada com esclerose lateral amiotrófica, está nos seus dias finais e o meu pai a acompanhar todos os momentos, que descreve como horríveis. Vive o momento com a racionalidade possível. Foram dois anos difíceis e com a morte próxima a realidade mostra-se cruel.

Já em casa o Nuno recebeu uma chamada do primo P., que contou a ida à Semblana com a mulher no carro novo e todas as descobertas e automatismos dos novos bólides. Para um alentejano já entrado nos setenta conduzir passa a ser todo um mundo de inventos a desbravar.

A T. ligou-me. Tem andado em baixo com problemas de saúde e sobretudo com as angústias trazidas pelas incertezas de quem não tem vínculo profissional. Sugeri que tentasse fazer exercício físico para arrebitar. Respondeu que sabe que é essencial e sempre aconselhou os amigos a fazê-lo, mas hoje estava em dia não. Com poucas forças para combater a inércia. Conheço-a. Sei que dará a volta por cima. O ano passado por esta altura senti o mesmo. Esta certeza não apaga os problemas tão comuns a tantos portugueses, com os quais lido profissionalmente. A instabilidade e precariedade no trabalho dão cabo da saúde e da vida de muitos compatriotas.

A fotografia foi tirada do comboio intercidades no momento da passagem pela Praia de Espinho.

Obrigada por terem lido. Boa semana.

O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.

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