Diário 10 de Junho 2026

Imagem gerada pelo ChatGPT a meu pedido.

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Redes de influência

Hoje além das parangonas no Público, detive-me apenas na investigação sobre Eurico Castro Alves e no podcast com João Marecos: os homens ainda hoje reprimem os sentimentos de uma forma penosa.

Sobre o homem forte do sector da Saúde em Portugal, não há muito a dizer. É questão de deslocar as minhas críticas habituais às redes de influência e trocas de favores da elite fajuta nacional para o plano do mais vil metal. No primeiro caso, o que mais pesa é a ambição por audiência e protagonismo, no segundo, o lucro. Em ambas está em causa a promiscuidade.

Cito o Público: A questão central não é se cada uma das ligações é ilegal. Em muitos casos, não há qualquer indício de crime ou infracção. O problema é outro: a concentração, numa mesma figura, de cargos públicos, redes regulatórias, actividade empresarial, influência política e relações com operadores privados em sectores dependentes de decisões do Estado.

Modelo alternativo de masculinidade

O podcast sobre a masculinidade expressa a seguinte visão: a reacção feminina ao modelo patriarcal trouxe a libertação da mulher do espartilho ancestral, mas deixou o homem ainda preso aos cânones tradicionais. Gosto de simplificar e julgo que não estarei errada se traduzir a ideia da seguinte forma: os novos tempos impuseram aos homens o respeito pela liberdade feminina, mas não libertaram o homem, que continua preso em caixas asfixiantes para provar a sua masculinidade. O facto de continuar a não poder exprimir sentimentos sem ser alvo de chacota ou estranheza e a superficialidade das amizades masculinas são alguns dos argumentos. E defende-se um modelo alternativo de masculinidade.

Gostei do podcast na íntegra, em especial do testemunho na parte final: um homem defende com naturalidade a capacidade de adaptação a novas realidades. Ideia cerne, pouco compreendida para quem reduz a vida a tragédias, dramas e heroicidades, mais próprias da ficção do que da vida real. O ser humano adapta-se a quase tudo sem grandes ondas; o exibir e o espernear são quase sempre artifício de quem quer palco. Mas esta conclusão já é minha.

Creio que faltou uma abordagem mais óbvia e que se evita por receio ou vergonha de chamar as coisas pelos nomes: as questões de género são também questões de ego e poder. De exercício do poder. Haverá sempre quem se oponha à perda de autoridade ou domínio. Há quem não procure igualdade, mas sim supremacia.

Dia-a-dia

No post anterior já contei a minha manhã de hoje. Continuo. Recebi duas chamadas que me alegraram.

Um telefonema da T., que está nas Termas de Chaves. Partilhamos sensações comuns. A nossa visão liberal do mundo (a dela mais acentuada do que a minha) choca com a envolvência. Não dissemos isso, mas creio que ambas temos uma abertura de espírito que esbarra com a mentalidade dominante. E por mais que gostemos muito de algumas pessoas, o convívio é, por vezes, difícil e traz-nos prejuízo ao bem-estar. A que conclusão chegámos? O problema está mais em nós do que nos outros, sabemo-lo, mas nem por isso a questão fica resolvida.

E um telefonema do J.A., com quem possivelmente nos encontraremos daqui a 15 dias. É curioso como somos diferentes em termos profissionais. As minhas inseguranças levam-me a preferir tarefas rotineiras às quais conheça bem os contornos, para saber com que linhas me coso. Ao contrário da escrita, onde me arrisco além da conta, em termos de trabalho sou muito prudente e, sim, temerosa das surpresas. O J.A. gosta de desafios profissionais, de estímulos que o façam estudar e pensar. É mais ousado.

O Nuno falou à F., que convidamos para vir cá a casa daqui a três semanas. E com o primo P. Embirraram como é costume e como sempre acontece com amigos sem salamaleques nem cerimónias.

Estou a começar a mentalizar-me para as férias daqui a 15 dias. Tinha duas semanas, mas creio que vou roubar os dois primeiros dias às férias para os reservar à eventualidade de haver troca de casa. Enfim, desejos e projecções ainda no etéreo. Nada de concreto.

Iremos passar cinco dias no bungalow do parque de campismo de Angeiras. Tenciono levar um livro, e espero não estar enganada: fui pesquisar online o Sobre o Cálculo do Volume II e não vi disponível a edição em português europeu. Espero também que não se confirme a praga bem-disposta do meu antigo colega de trabalho Z.: vaticinou que choveria sempre que fôssemos para o parque. Seria magnífico que nesses cinco dias pudesse fazer praia e piscina.

E é isto que me passa na telha e me ocupa o tempo. O que omiti? Dar comigo como as crianças pequenas: embirrenta quando tenho sono. É um pouco mais preocupante porque o mal-estar passa a angústia e atrapalha as obrigações profissionais. É muito possível que se deva à falta de ferro. Mas também contribuem a desobediência a uma rotina saudável de sono e a sensibilidade às interferências externas — ao vício de frequentar ambientes tóxicos.

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O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.

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