Curtas

 




Imagem gerada pelo ChatGPT a meu pedido.


Não sei se repararam, mas estamos no século XXI


Há um par de dias, na reportagem diária da presidência aberta, ouvi uma portuguesa dizer qualquer coisa do género: é importante que se faça turismo nas regiões do Centro afectadas pelas tempestades e talvez aconteça com ajuda “dos lá de cima”, referindo-se ao Presidente da República que, pese embora tenha declarado não querer esvaziar as palavras, tem ocupado os jornais diários a meias com as telenovelas trumpistas. É uma coisa muito pindérica e lusa esta forma subserviente nas referências a governantes, representantes nacionais e demais figuras públicas. Continuamos a tratar os políticos como senhores e não como servidores públicos. Não se imagina um cidadão nórdico, britânico ou francês a rebaixar-se deste modo. Faz parte desta mentalidade hierarquizada medieval que ainda perpassa o tecido nacional para quem a Igualdade da Revolução Francesa e das revoluções oitocentistas é romance de intriga empolgante e não um momento da História já assimilado. Para quem Democracia é liberdade para a má-língua. Levámos mais de dois séculos de atraso neste romance de cordel.


A interferência da Administração Trump no Velho Continente


Vivemos em estado de caricatura. Repito-me. O que a Administração Trump está a fazer na Europa é interferir à descarada na política do Velho Continente para fazer negócio. Começou antes da invasão russa da Ucrânia, entre outros episódios, com os grandes projectos de gasodutos. Fazem agora na Hungria e em todos os países europeus que conseguem, o que os EUA e a União Soviética/Rússia fizeram durante décadas de modo dissimulado na América do Sul, em África, no Médio Oriente e pelo mundo fora, onde fosse possível estender os tentáculos da ganância. Agora à descarada, sem o verniz da defesa da Democracia ou dos Direitos Humanos.


O que me (pré)ocupa o espírito


Desassossega-me a falta de paz de espírito. Não gosto de estar tensa de novo à hora de almoço e com sono logo em seguida. Quero os meus humores estáveis e delicados com os que importam e comigo própria. Inquieta-me que o Nuno passe um dia falho de sentido de orientação, e que dois dias depois me acorde com um episódio de epilepsia. Ainda que de manhã acordemos ambos ternos e bem-dispostos, prontos para mais um dia. É bem verdade que saber viver passa por desvalorizar o que não podemos controlar, e há aspectos importantes da vida que pertencem ao domínio do acaso. Só quem não atravessou verdadeiras dificuldades, está convencido ser inteiro senhor do seu destino. E só quem atravessou verdadeiros problemas sabe o quanto é capaz de encarar a vida com consciência, sem a fanfarronice das proclamações e frases de efeito para esfregar o ego.


O que me alegra


Acordar todas as manhãs bem-disposta, ao lado do homem mais terno e mente sã que conheci. Abrir a porta da varanda e cumprimentar a luz do dia, ver as minhas árvores e plantas. Entrar na rotina que me traz paz. E todas as tardes desejar chegar a casa para jantar com o Nuno, conversar, descontrair. Ver o telejornal sem valorizar demais, sabendo que as comoções das televisões e de algumas pessoas que nos cercam têm as horas e os dias contados — a excitação da actualidade dura horas até uma outra onda de “informação” comercial varrer a humanidade. Ler um pouquinho no sofá sem me cansar. Entrar no mundo dos que sabem afastar-se do turbilhão. Festinhar o gato quando me sento à mesa do computador e ele trepa para o colo. Escrever. Perder tempo no mundo digital em pesquisas avulsas. Estudar um pouco sem me fartar. E deitar-me para logo adormecer.


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O que escrevo está a ser publicado no Isabel Paulos – Medium.

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