Consciência

As declarações de princípio são muito atraentes, mas se não vêm acompanhadas de acções coerentes com o discurso, caem em descrédito.

O que faz de alguém digno de confiança é a consistência entre discurso e acção. É evidente que não há indivíduos perfeitos, mas há quem faça um esforço para ser razoável e não se deixar levar pela tentação das avaliações subjectivas e facciosas, por ódios irracionais e amizades oportunistas, disfarçadas de articulação e análise objectiva de factos. Quem domina a retórica sabe como escolher e apresentar os factos que interessam ao ânimo subjectivo.

Sempre foi assim. Hoje, com o recurso à tecnologia é ainda mais fácil a quem é provido de desenvoltura e rapidez de raciocínio.

Porém, a confiança não nasce da habilidade intelectual desprovida de ética, mas da consciência e da vontade de aderir à rectidão. É uma chatice, soa a velharia, a moralidade fora de moda. A realidade é como é e não um artifício elaborado e sedutor. Não é um jogo de palavras para obter audiência.

Decidimos intimamente se queremos agir com rectidão ou não. Claro que se estivermos melhor informados e tivermos mais acesso ao conhecimento, a nossa consciência pode ser aprimorada, mas não é tiro e queda. Mais conhecimento tanto pode significar mais rectidão, como menos. É uma decisão íntima de cada um.

Todos fazemos asneiras, todos mentimos, todos amamos e odiamos, todos julgamos erroneamente. Seja na vida pessoal, seja na profissional. Termos consciência disso e evitarmos a falsidade, a desonestidade e o prejuízo alheio (e próprio) é nosso dever.

0