
Bitaites sobre diferentes personalidades
Cada um tem as suas embirrações. Causa-me repulsa o vício da lição e do conselho. Cada um gosta do que gosta. Prefiro dar o testemunho do caruncho ao exemplo de perfeição.
Cada vez desconfio mais de tiradas do género “só me fere quem eu deixo”, “antes confiava, mas aprendi a defender-me”, “aprendi a preservar a minha vida pessoal, para não me decepcionar com o aproveitamento”.
E de onde vem esta cautela? De ler ou ouvir estas afirmações a gente perita em ofender de modo dissimulado e em enganar. Há muitos anos comecei a reparar neste tique de acusar os outros dos próprios defeitos — de projecção das próprias imperfeições nos outros. É uma forma auto-justificativa. Do tipo: sou cínica porque não se pode confiar e aconselho todos a seguirem o exemplo.
Não tenho a pretensão de aconselhar a comportarem-se como eu. Afirmo apenas que tenho o direito a ser como sou. Crédula e com o gosto de contar a minha vida. Quem não tiver interesse no que digo tem bom remédio: não me ouve, não me lê. Passei a primeira metade da vida como pessoa reservada, e não tenciono passar a segunda a conter o que não quero ou não devo dominar. Não quero fabricar uma imagem diferente do que sou. Porque o faria? Se apesar das desilusões que fazem parte da vida, sou feliz como sou. Dar ar insensível? Pseudo-sofisticada? Confundindo educação com cálculo? Não, obrigada.
Cada um é como é. E o caminho do cálculo e oportunismo não é o meu.
Bem sei que há gente reservada por natureza. Tenho amigos com as duas naturezas: uns mais reservados e discretos, outros mais espalha-brasas. São como são e não faz sentido demovê-los da sua natureza, a menos que por qualquer razão me peçam opinião e perceba que estão desconfortáveis.
A morte de Putin
Se forem sensatos e estiverem convencidos de que são sábios, passem à frente. Não leiam o parágrafo seguinte.
Creio que já passaram dois anos desde a minha previsão de morte de Vladimir Putin em 2026. Na altura para o vaticínio consultei o mapa astral natal do facínora. Não satisfeita, depois de há dois ou três anos ter aderido ao Tarot de Marselha, tentei confirmar estas predições. Confirmaram-se. E não é que ontem, na posse do oráculo I Ching, perguntei pelo destino de Putin em 2026 e saiu A Queda, hexagrama 23.
Gostando de bruxarias e esoterismo, sempre brinco com estas matérias, mas admito: estas previsões animam-me. Não valendo como adivinhação, valem pelo menos como desejo.