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O pousio do desassossego não chega com ciência exacta nem com mantras bem-intencionados e vãos. É uma bênção fugidia que a arte de viver saberá ou não acolher e nutrir para prolongar por horas ou dias, quando muito.
As exigências terrenas sempre ditam contrariedades e sobressaltos. Ganhar calo que permita serenidade para enfrentá-las é tarefa de uma vida inteira. E face a percursos muito tumultuosos ou adversos, ao contrário do que ditaria o senso comum, é possível que o endurecimento chegue tarde.
Na luta contra a hostilidade persistente não há tempo nem doçuras a gastar com ardil e calculismo. Há trabalho, força e real cansaço. É mais comum serem os caracteres interesseiros a formar-se nas sedas das vidas fáceis e só por anedota autoproclamadas muito esforçadas e valorosas, do que as reais vidas corajosas.
O trabalho, o esforço e o mérito efectivos, desacompanhados de desonestidade, são invisíveis e desrespeitados em ambientes de enaltecimento de falsas desfavorecidas ou falsos injustiçados e também de desenvoltos empreendedores, todos eles, fracos e fortes, ditos lutadores por um lugar ao sol, que constroem uma vida à custa do trabalho e do prejuízo alheio.
A bênção do bem-estar consigo própria, por fugaz que seja atentas as preocupações da vida e a consciência da imperfeição, é uma espécie de prémio de participação digna na prova, mesmo correndo o risco de chegar à meta junto do carro vassoura.
A fotografia, tirada esta manhã, é novamente da roseira de Fevereiro de 2021, agora com a flor já aberta. Se repararem, estão ainda visíveis dois restos mortais de anteriores rosas. Por cada rosa viçosa, duas sucumbem.