A galinha e o ovo

- as leituras de Domingo de manhã -

Imagem gerada pelo Copilot a meu pedido.

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O ritmo de vida impõe a reacção retardada à leitura. Talvez seja boa política dar conta do que li no fim-de-semana depois de decorridos dois dias.

Diverti-me com um curioso post que se auto-intitulava guia de personalidade segundo o tipo de sangue. Nunca me tinha ocorrido que o meu sangue do tipo O Positivo determinaria o facto de ser organizada ou desarrumada, poupada ou gastadora.

Espreitei mais um pequeno artigo do autor que costuma dar dicas sobre criação de ficção. Desta vez aconselhava a comprimir a escrita, evitando excessos e desperdícios. O que escreveu para a língua inglesa aplica-se ao português. Trata-se de boas dicas, mas no próprio dia deparei-me com a evidência de sempre: para tudo é preciso bom senso. Se no último diário de fim-de-semana seguisse as regras, teria de substituir a expressão “tirei fotografias” por “fotografei”. Sucede que a acção se prolongava desde a infância; no caso, “fotografei” seria pretensioso. Cada um terá de saber jogar com as regras de escrita, sob pena de ficar a escrever by the book, como entediante linguista. De qualquer modo hoje detectei uma redundância no mesmo diário e corrigi: não fazia sentido “versar sobre”.

Como sou muito atrevida, no Domingo de manhã também não resisti a um artigo na área da Física.

No meu tempo de liceu fui pouco além da definição de átomo, que sabia ser constituído por protões e neutrões — não me perguntem o que são porque nunca percebi. Nos últimos anos comecei a ouvir falar em quarks e fui averiguar: são partículas elementares que constituem os protões e neutrões, entre outras partículas. No último ano ouvi falar em glúons — é com dificuldade que os distingo nos glutões dos detergentes — e fui averiguar: são as partículas através das quais se exerce a força nuclear que mantém os quarks ligados.

No tal artigo aqui do Medium o autor escreve sobre a possível descoberta de um estado ligado de glúons (glueball), que poderá formar-se pela interacção dos próprios glúons entre si. Mais do que a ideia de que as coisas interagem, o autor propõe a possibilidade de que as interacções produzam coisas.

As partículas seriam excitações ou estados de campos quânticos, identificáveis pelas suas propriedades mensuráveis. O artigo sugere que os objectos podem corresponder a padrões físicos persistentes e distinguíveis, e o estado físico do glueball, a confirmar-se, existe independentemente de ser observado; a medição não o cria, mas permite distingui-lo de outros estados possíveis.

Ainda a trocar os olhos e a tentar perceber que não são coisas a estabelecer relações, mas as relações a dar origem a coisas, que depois reconhecemos como matéria — básica, como sou, continua a parecer-me a questão da galinha e do ovo — li ainda um post sobre a deterioração dos direitos laborais na decorrência da adopção da IA pela entidade patronal e pelos sistemas de segurança públicos. Levanta-se a questão quer da redução dos custos, quer do aumento do controlo. No primeiro caso, à custa dos trabalhadores, no segundo, pelo abuso de poder e desrespeito da privacidade e demais direitos. De ambos resultam maiores clivagens na sociedade.

Por fim, detive-me num outro post que me deixou bem-disposta. De alguém que não obedece aos conselhos habituais para ter sucesso na plataforma (escrever diariamente, curto, seguindo as tendências, usando bons títulos) e, no entanto, tem êxito. O essencial dito pelo autor: escrever um artigo interessante implica tempo, estudo e habilidade de comunicação. Deve ser por isso que há duas semanas dei por mim a ler de fio a pavio, sem adormecer, um longo artigo sobre a vida em plataformas petrolíferas.

Já sabem que os artigos que deram origem a este post estão todos disponíveis no separador Activity.

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O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.

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