Conferência de Segurança de Munique
Na Conferência de Segurança de Munique, Zelensky revelou que os Estados Unidos sugeriram que a paz estaria próxima se a Ucrânia retirasse do Donbass, mas respondeu que tal não é possível porque lá vivem ucranianos. Disse que queria uma garantia de segurança norte-americana de 20 anos. Queixou-se da Europa estar praticamente ausente das negociações (acompanhado na crítica pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês). Apelou a marcação de data para a entrada na União Europeia, tendo alguns responsáveis a UE apontado para 2027. Acrescentou que os drones Shahed que os iranianos venderam à Rússia estão a matar o povo ucraniano e a destruir as infra-estruturas do país.
Também na Conferência de Munique, na expectativa de saber se os Estados Unidos continuam comprometidos com os aliados europeus, caíram bem as declarações aparentemente conciliatórias do Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio quanto às relações transatlânticas. Sucede que foram feitas à custa da imposição de uma visão proteccionista do mundo ocidental: na visão ultra-conservadora dos actuais governantes dos Estados Unidos os interesses ocidentais são postos em causa pelas políticas de abertura às migrações e pelas políticas ambientais que dizem empobrecer o mundo.
O Irão e as negociações sobre enriquecimento de urânio
Os EUA enviaram mais um porta-aviões para o Médio Oriente para pressionar o Irão a assinar acordo quanto a programa nuclear. Trump diz estar optimista quanto a um acordo cuja ideia básica é que o Irão se comprometa a usar o nuclear apenas para fins civis.
O assassinato há dois anos do opositor russo, Alexei Navalny
A investigação conjunta de várias agências de inteligência do Reino Unido, França, Alemanha, Suécia e Holanda, concluiu que Alexei Navalny, líder da oposição russa, foi morto há dois anos por envenenamento com epibatidina — neurotoxina rara encontrada na pele de rãs-dardo venenosas da América do Sul.
As reacções aos ficheiros Jeffrey Epstein
Curiosa a forma como políticos, homens de negócio, membros de casas reais, artistas, intelectuais se demarcam do seu amigo organizador de rede de exploração sexual de menores. Todos desconheciam. É bem possível que alguns desconhecessem. O que nos deveria deixar a pensar é que tal como Bill Gates admitiu a presença em jantares com o escroque por razões de networking e captação de financiamento, como é possível ignorar os sinais repugnantes de imundice e crime associados às redes de influência? No fundo, a perversidade que agora tem lepra, há anos tinha o apelo de sofisticação que a todos inebriava.
Deixo a pergunta no ar quanto a assediadores e agressores sexuais. Em Portugal, à nossa escala e com o atraso que nos é característico, quantos dos que estão no espaço público, na comunicação social, nas redes digitais e blogs de referência, têm conhecimento da imundice e do crime de várias pessoas que elogiam e a quem fazem referências promocionais em troca de favores? São todos muito inocentes e arrepender-se-iam se a imundice em que participam activa ou passivamente fosse denunciada e caísse em desgraça?
Afinal o networking ou as relações de amizade interesseiras são legítimas, defender-se-iam com a maior das lábias. Continuariam inebriados com a sofisticação da perversidade, só considerando errada a revelação? Obedecendo à velha ideia muito portuguesa de que uma coisa é o que se faz e diz na intimidade ou entre amigos, outra são as afirmações e a imagem pública.
Ontem jantámos no restaurante Destino. Comi gambas ao alho com batata frita; estavam óptimas.
