Agenda

Ontem não houve tempo e disponibilidade para escrever. Antes de me deitar deixo em agenda os alinhavos de futuros posts. Ou talvez não; talvez fique tudo dito.

Não sou só eu “o” Cristo

Em muitas ocasiões sinto-me a pessoa mais burra à face da terra. Em episódios nos quais peço ajuda ou me vejo obrigada a perguntar aquilo para que sei a resposta há muitos anos e de repente varre-se. Estupidifico e lá pergunto o óbvio.

Na semana passada uma circunstância pôs-me a pensar: não sou só eu “o” Cristo.

Inverteram-se os papéis. Duas pessoas, com quem tenho feito ocasionalmente figura de ursa, fizeram-me perguntas que me deixaram incrédula. Mas? Não é possível, ele sabe isto — pensei nas duas ocasiões. É básico, é inacreditável que me estejam a pedir ajuda.

Em suma: o universo fê-los sentir o meu handicap.

Viver mais do que uma identidade

Sinto-me desconfortável com as dissimulações. Percebo a heteronomia artística, mas sei que não raro camufla cobardias e deslealdades injustificáveis.

No passado usei nicknames omitindo a identidade por fazer parte das regras dos espaços digitais nos quais participava. Opinei várias vezes com o perfil Forasteira e MariaDasTeclas e Estafardanas. Mais tarde apenas com o nome Isabel. Mas associava os perfis ao meu endereço electrónico com nome e apelido. Quem quisesse saber com quem estava a falar, sabia.

Não usava estes perfis para enganar, nem para entrar em jogos desleais e duplicidades. Qualquer pessoa que entrasse em contacto comigo e tentasse averiguar mais sobre a identidade, teria a resposta verdadeira.

Porquê esta conversa toda? Por, ao fim de vinte e muitos anos de mundo digital, me continuar a causar estranheza, como se está na vida com diferentes facetas conforme as conveniências.

O que posso revelar da experiência de vida aproximada em matéria de facetas? É doentio e prejudicial separar o mundo íntimo (pessoal e familiar), social e profissional em compartimentos estanques.

Somos inteiros. E quando somos inteiros somos mais saudáveis e realizados.

Viver escondido é doentio. Seja através da heteronomia ardilosa, seja através de outras tácticas de encobrimento da comunicação. Tanto se pode omitir a identidade como, mantendo a identidade, disfarçar a mensagem através de tentativas de manipulação. Ambos os casos causam prejuízo ao próprio e aos demais.

A que propósito veio isto? Pelo facto de reparar no uso de endereços electrónicos distintos para diferentes perfis. Recordei-me como, em mais nova, separava o mundo digital da vida real e como isso era estúpido e prejudicial.

E recordei-me como nos primeiros dez anos de uso de telemóveis, mudei duas vezes de número por não confiar nas pessoas a quem o tinha dado. E como desde 2007, o pior ano da minha vida, tenho mesmo número, sobrevivente a todas as vicissitudes, inclusive, às deslealdades.

É tão mais fácil de saudável a vida quando somos inteiros.

Leviandade militante

Enveredar pela deslealdade como motor de vida é para alguns símbolo de inteligência e sofisticação. Há quem ache estimulante.

Há quem, a pretexto da relativização do bem e do mal — do desdém e da ridicularização da moralidade -, goste de se afirmar como indivíduo imperfeito e por isso humano.

Não haja dúvida de que todos somos imperfeitos. Todos temos fraquezas de carácter. Todavia, é escusado andarmos a enganar, a manipular e a causar prejuízo com o pretexto de nos sentirmos grandes competidores e vencedores à custa dos outros: muito atraentes intelectual ou artisticamente. O verdadeiro logro de fazer figura. E ser militante na leviandade.

Cá por mim, continuo cheia de caruncho, no caminho de algumas vitórias e muitos reveses e derrotas. Em batalhas, internas ou com os outros, que não passam pelo tráfico dos holofotes. Nem pelo gosto de ofender e prejudicar os demais.

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Nada do que escrevi neste post é novidade para quem lia as Comezinhas na SapoBlogs. Só me estou a repetir.

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O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.

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