A vitória da cobardia

- o álibi perfeito -

Imagem gerada pelo Copilot a meu pedido.

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Envolver o concreto em fios de encobrimento da verdade por medo. Eis a fórmula de ganhar a corrida da esperteza. Adornar. Disfarçar a crueza que repele a cobardia. Esconder a beleza real e romantizar o reles. Embelezá-lo para seduzir.

É a receita infalível para agradar aos defensores do grau zero de justiça comunitária. Os desprovidos de um pingo de sensibilidade. Vindos de áreas ideológicas distintas, convergem na conveniência e oportunismo. Nos debates políticos é perceptível a absoluta indiferença ou desprezo pela igualdade de oportunidades e justiça dos métodos. Os básicos de convivência saudável em sociedade são esventrados pela lógica da competição — a tendência dominante é hoje a do mercantilismo puro aplicado às ideias, relações e objectos. É a lógica dos adeptos fanáticos do futebol usada na política. Interessa ganhar a qualquer custo, passando por cima de todos os princípios universais de sã convivência.

Veja-se como se transforma a necessidade de crescimento económico em pretexto para reformas políticas agressoras das mais básicas conquistas civilizacionais.

Neste caldo de mentalidade dominante acusa-se de demagogia quem defende mínimos de justiça. Com a desculpa de enfrentar o extremismo populista enaltece-se a primazia dos privilegiados e alpinistas sociais e dos métodos torpes de vencer. Premeia-se e incentiva-se a mediocridade e falta de honestidade recorrendo à estratégia retórica de transformá-las artificialmente em valor e mérito. Pela distorção das palavras e acções esvazia-se o real significado de talento, trabalho e merecimento.

Veja-se como se promovem políticas que dão a ganhar ao facilitismo videirinho dos negócios ocasionais e se penaliza o esforço constante e cumpridor do empreendimento e do labor comprometidos.

Dá muito trabalho viver com a coragem de valer por si próprio e não à custa dos outros e da trapaça. Além de não estar na moda. Brilhante é ser egoísta e defender os próprios interesses à custa do prejuízo alheio ou comunitário. Genial é relativizar a honestidade e afirmar o soez como prova de humanidade. E, na eventualidade de ser posto em causa por quem tem voz e poder, então sim, disfarçá-lo de conquista pelo esforço, mérito e direito adquirido.

Veja-se o que acontece com as reivindicações corporativas e do sector público instalado.

Numa sociedade que premeia o fingimento e a trapaça é extremamente encantador admitir a imperfeição com a intenção de desresponsabilização. O álibi perfeito. Já reconhecer os próprios erros por força da verdade e assumir as consequências são crimes de lesa-majestade além de atitudes simplórias e ridículas.

Veja-se como se privilegiam a aparência e as redes de favores no mundo do entretenimento, dos media e da cultura.

Na linguagem dos detractores é puritanismo hipócrita assumir com crueza erros próprios e constatar a mentira e a desonestidade alheia, já que todos somos imperfeitos. Digam lá se não é fácil transformar o mundo numa pocilga com a retórica e distorção das palavras?

A forma de estar nas relações e na vida diz muito da orientação política e programática de cada indivíduo.

E assim vai o país e o mundo.

Valha-nos quem trabalha em prol de uma humanidade melhor.

Veja-se o labor comprometido na ciência para promover uma vida mais digna aos menos bafejados pela sorte.

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Obrigada por terem lido. Bom Domingo.

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