A Operação Fúria Épica contextualizada







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A Operação Fúria Épica norte-americana e a resposta iraniana


No passado Sábado, 28 de Fevereiro de 2026, os EUA e Israel iniciaram ataques aéreos e de mísseis contra bases militares iranianas, depósitos de mísseis e centros de comando. Atingiram laboratórios e infra-estruturas sensíveis ligadas ao programa nuclear, e altos dirigentes e comandantes militares iranianos. Mataram Ali Khamenei, o líder supremo do Irão.


O Irão respondeu com mísseis e drones contra Israel e bases militares americanas em vários países do Médio Oriente (Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait, Jordânia e Iraque).


Os EUA justificam a operação como prevenção. Pretendem impedir que o Irão desenvolva armas nucleares e reduzir a capacidade militar.


A determinação do que seja o carácter preventivo da operação tem pertinência em termos de Direito Internacional por poder configurar ou não legítima defesa. A legitimidade da intervenção assentaria no carácter claro e iminente da ameaça iraniana. Daí Donald Trump insistir hoje na tecla da proximidade do Irão alcançar nuclearmente a “bela América”, ao contrário do que havia sido avançado, no Domingo, por altos funcionários do Pentágono ao Congresso.


O Irão considera os ataques ilegais e responde alegando legítima defesa contra a ameaça externa.


O Contexto histórico próximo


Depois do reforço do poder do Xá por intervenção norte-americana e britânica nos anos 50 do século passado, com o volte face da Revolução Islâmica e da instauração da República Teocrática no final dos anos 70 as relações entre o Irão e Israel e os EUA foram tensas ao longo das décadas com rivalidade estratégica. O Irão passou a apoiar grupos como o Hezbollah e o Hamas contra Israel. No Médio Oriente vive-se em conflitos indirectos entre os blocos pró-EUA e pró-Irão (casos da Síria e Iraque, por exemplo). Nos últimos anos multiplicaram-se os assassinatos e os incidentes com drones e navios. Acresce que o programa de enriquecimento de urânio iraniano, iniciado nos anos 2000, aumentou os receios ocidentais pelo desenvolvimento de poder militar nuclear. Por outro lado, a grave crise económica e a repressão totalitária do regime levou a manifestações massivas reprimidas com dezenas de milhares de mortes. E decorriam negociações em Genebra para novo acordo nuclear. Ainda no seu decurso a Administração Trump enviou dois porta-aviões para o Médio Oriente e declarou apoio público aos manifestantes anti-regime.


Os outros actores internacionais


O papel de Israel


Desde a queda do Xá e ascensão do Aiatolá Khomeini mudou a relação tranquila entre os dois países (o Irão, enquanto monarquia, foi o segundo país muçulmano a reconhecer o Estado de Israel (depois da Turquia). O novo regime iraniano rompeu relações e passou a apoiar a causa palestina, transformando Israel no seu principal inimigo.


Israel vê o Irão como a sua principal ameaça estratégica, por uma questão de sobrevivência do próprio Estado. Daí ter convencido Donald Trump a atacar em conjunto.


O papel da Rússia


Rússia e Irão são aliados estratégicos desde a guerra da Síria (apoiaram o regime de Bashar al-Assad). Aliança militar e energética reforçada após a invasão da Ucrânia.


O papel da China


A China tem um forte vínculo comercial ou económico com o Irão. É o principal importador do petróleo iraniano. Opta pelas soluções diplomáticas para proteger as rotas comerciais e expandir a influência.


O reflexo na geopolítica energética


As guerras e as sanções afectam as receitas com as exportações de petróleo e gás em que o Irão é rico. Pelo estreito de Ormuz passa cerca de 20% do petróleo mundial, pelo que um conflito pode fazer disparar o preço.


A China e a Europa, importadores, perdem com o aumento do preço do petróleo.


A Arábia Saudita, a Rússia e o Brasil, exportadores, podem lucrar com o aumento do preço.


Os EUA podem ganhar em termos sectoriais, mas enfrentam os custos militares, além do prejuízo para os consumidores norte-americanos e da possibilidade de inflação.


O interesse na mudança do regime iraniano


Apesar da aparente defesa dos direitos e liberdades fundamentais do povo iraniano, e da genuína preocupação de muitos cidadãos no mundo com o terror imposto por um regime totalitário sanguinário, o motivo do interesse na mudança de regime pela Administração Trump é mais prosaico.


Um governo menos hostil permitiria reduzir a ameaça a Israel (e o apoio a grupos armados regionais), limitar o programa nuclear do Irão e favorecer os EUA num novo acordo.


Um regime amigo permitiria controlar, juntamente com o petróleo da Venezuela e da Arábia Saudita, quase 50% das reservas mundiais.


E embaraçar o acesso da China, seu principal rival económico, ao petróleo e gás da região, já que metade do fornecimento chinês vem do Médio Oriente.


E desestabilizar a Europa com o aumento de refugiados iranianos, favorecendo políticos europeus populistas próximos de Trump.









Boa noite. Boa semana.




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