A justiça tarda, mas não falha

- a podridão humana no mundo digital -

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Não sabes se neste momento ainda se faz isso, mas por causa de actualizações indesejáveis ou de vírus associados à instalação de software, costumavas procurar um ponto de restauro do sistema que limpasse a máquina da sujeira entretanto surgida.

Foi essa sensação que tiveste ontem. Em pensamento retrocedeste a um qualquer ponto descomplicado e alegre da tua vida. A um ponto de esperança. Terá sido há seis anos, há sete, há quatro? Não soubeste precisar. Porém, uma certeza rompeu clara. Nos últimos anos deixaste-te envenenar por doses massivas de falsidade e agressão. De podridão humana. Contaminada, o que produziste na escrita reflectiu essa sujeira. Como, aliás, este post. Mais um. É inelutável.

Às vezes pensas que tropeçaste no mundo digital com aquilo que a vida te poupou no mundo físico, ao menos nas relações mais próximas. Como se o universo te quisesse mostrar como são os espécimes mais velhacos. Estão vistos e registados. Tomaste nota.

O restauro que agora fazes à tua vida terá vários pontos de regresso. Retomarás as pontas promissoras abandonadas por excesso de porcaria a ocupar-te a mente. Mais recente, regressarás ao estudo de meia hora por dia. A meio, lá mais para o início do Outono, talvez consigas pegar no projecto de escrita fora de antena. A partir de hoje começarás a recuperar o desafogo dos bons sentimentos que te animavam há seis ou sete anos.

Esquecer como foste envenenada por gente falsa e peçonhenta que está no mundo com o propósito de ganhar à custa do próximo, com o propósito de causar prejuízo aos demais. Roubando, ofendendo, difamando. Agredindo à socapa. Gente que tenta destruir a generosidade de espírito e a sanidade mental dos que não se vergam às suas pulhices. Gente que não distingue crítica e legítima defesa de ofensa.

Já retiraste o ferrão, acumulado nas tuas costas; retiraste-o com faca afiada a romper cirurgicamente a tua pele. Foste andando em 2024 começando a escrever no Medium, e prosseguindo agora no Blix, em 2026. O caminho vai-se fazendo. Nada premeditado. Tudo surgiu de modo espontâneo.

Por agora, tentarás abstrair dia após dia, sabendo, como sabes por já teres constatado noutros casos, que a justiça tarda mas não falha. A vida encarregar-se-á de dar o troco aos vermes. Não precisas mexer uma palha. Sabes que no momento em que a justiça for reposta, quando os vermes penarem o sofrimento que causaram, não terás raiva, mas compaixão.

A ti compete apenas regressar aos pontos de restauro dos bons sentimentos. E voltar a acreditar que quem vem, vem por bem. Com prudência. Aprender e continuar a seguir caminho. A ti compete seguir e escrever.

Darias um ar mais resolvida evitando a exposição destes estados de alma. Mas não gostas de simular o ar firme e decidido. Não és de aparências. Tudo isto parece mania aos olhos de quem passa. Está na moda a caça às puritanas, como chamam a todas as pessoas que pugnem por mínimos de dignidade no trato humano. Podias optar por evitar posts destes, mas queres que fique registado também o egoísmo e desinteresse generalizado. Cada um trata de si, cada um sabe de si, até a humanidade deixar de se reconhecer. Ou talvez não, ainda valha a pena o afecto genuíno.

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O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.

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