A partir do elencar e da inferência sucessiva de cinco eventos posso concluir pela veracidade ou falsidade de uma afirmação e construir uma narrativa realista ou facciosa. A partir do bom senso posso concluir por uma verdade ou mentira e acertar ou errar. Não é o processo ou o desenrolar dos factos que confere fidedignidade a uma ideia.
Os factos podem ser seleccionados, hierarquizados ou omitidos de modo a conduzir o leitor para uma conclusão pré-definida. Uma narrativa pode ser formalmente rigorosa e, ainda assim, intelectualmente desonesta.
O apelo ao bom senso, à intuição ou à experiência também não garante a verdade. Pode acertar, mas também pode reproduzir preconceitos, ilusões ou emoções passageiras.
A honestidade é fundamental para a isenção ou imparcialidade do argumento.
A credibilidade de uma conclusão não depende apenas da técnica utilizada, mas da disposição de quem argumenta para procurar a verdade em vez de defender uma posição. A honestidade não substitui os factos, mas os factos também não substituem a honestidade.
O drama é que estamos habituados à mentalidade do jornalismo que se arroga isento seja ou não honesto nos alicerces da argumentação. Como se o método não precisasse de bondade de propósitos. Todos os dias somos confrontados com distorção dos factos e manipulação das ideias no espaço público.
É fundamental aprender a duvidar das próprias posições e passá-las no filtro da bondade. E não usar a crítica da desonestidade intelectual sem conhecer a sua natureza.
A fotografia é do almoço de hoje.
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O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.