Ontem, em conversa com uma amiga, debatias a tendência para fantasiar. Ela advogava que precisa parar de devanear e pôr os pés no chão com o argumento de que se prejudica ao sonhar quando o que mais necessita é de estar consciente das limitações e fazer o possível para alcançar objectivos realistas.
Tiveste esta discussão contigo inúmeras vezes. Admitiste que são incontáveis as decepções à conta de depositares expectativas demasiado elevadas em ti própria ou nos outros. Mas não deixaste de dizer que não tencionas prescindir dos devaneios. Sem fantasia não te reconhecerias, cairias num poço sem fundo que renegas quantas vezes forem precisas e por mais desgostos te atirem ao chão. Sempre foi a fantasia que te levantou.
Para realismo, para reconhecimento das limitações, chega-te o entorno, a visão que os outros e o mundo te impõem. A incompreensão. Os defeitos que te apontaram desde sempre. As ofensas. Uma e outra vez sem qualquer piedade. E chega-te a auto-exigência. O mínimo de sanidade requer que te dês o direito de sonhar contra a corrente. O direito de te sonhares compreendida. Esse ao menos ninguém te pode tirar. Esse é o céu estrelado que a maioria não chega a entender durante toda a vida.
Contaste também a espécie de batota que aprendeste a fazer. O equilíbrio entre o sonho e o pragmatismo. Continuas a sonhar com as estrelas, mas tens o trato contigo mesma de não perderes o pé. Provês o essencial. A realidade não se opõe aos sonhos. É o caminho diário. Tens uma casa a manter funcional e agradável para viver. Os mais queridos são inquestionáveis, apesar dos desentendimentos. O amor ao Nuno é uma hera bonita a aprender a cuidar com o mesmo carinho que ele te tem dedicado. A escrita não é só um prazer, é também uma disciplina que requer sacrifício e sensação de dever cumprido. O trabalho que te sustenta é para ser feito com zelo.
As estrelas esperam. Por agora chega-te a paz.
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O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.