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Leituras no Medium
Hoje não há resumo de artigo sobre pintura ou fotografia. Refiro apenas um post sobre vistos culturais disponíveis nalguns países. Já sabem que podem ler o artigo original no separador Activity.
O autor do post recorda que alguns países possuem vistos que permitem a artistas, músicos, pintores e outros profissionais criativos neles viverem e desenvolverem actividade por um ano ou mais. Destinam-se a pessoas com talento artístico e dependendo do país em questão podem exigir provas de experiência e reconhecimento público, além de capacidade financeira ou contrato assegurado. São mencionados o visto performativo da República Checa, o visa ou passaporte de talento do Reino Unido e da França, o visto de talento para a arte, cultura e desporto da Nova Zelândia, o programa para imigrantes qualificados de Hong Kong, o visto de imigração de talento da Sérvia e a autorização de residência para trabalho independente da Alemanha. O autor do artigo refere ainda o caso da China e dos Emirados Árabes Unidos que também dispõem de vistos de talentos, mas não para a área cultural e sim para cientistas, engenheiros e outros profissionais especializados.

Amor sobrevivente
É quase um lugar-comum a ideia do fortalecimento do amor na adversidade. Quantas vezes se fala dele de uma forma leviana, mas com a idade começamos a entender e sentir o peso do robustecimento do amor sobrevivente. Não o da imagem tão idílica quanto seca das reportagens jornalísticas sobre casais mais velhos apaixonados em compreensão mútua ao longo de uma vida de altos e baixos.
Falo do amor que esbraceja ao nosso lado para nos manter saudáveis, compreendidos e acarinhados. E alegres. Da abnegação e humildade em aceitar as fraquezas do outro, sem vontade irredutível de impor razões. Do amor ora apaixonado, ora desencantado. Da amante que erra e reconhece que erra. Do perdão genuíno que desfaz a agudeza do orgulho. Da admiração pela cara-metade, apesar das vergonhas que todos padecemos. Do amor que discute feio mas sabe pedir desculpa quando se excede ou é estúpido. Do carinho gasto em horas de afagos e palavras ternas. Do fogo vaivém. Do riso solto nos dias felizes. Do amor que fica e acredita que vale a pena manter os dedos mindinhos unidos.
Dia-a-dia
Ontem o Nuno ficou de coração apertado com uma mensagem da minha enteada a dar conta do ataque ao aeroporto de Riade e a tranquilizá-lo por estar tudo bem. Não vive longe e por lá passou ainda há duas semanas regressada de Portugal. Só à noite na consulta do agregador de notícias Front Pages vi ecos da notícia: 12 mortos e mais de 300 feridos.
Tínhamos ido almoçar a casa do meu irmão F. em Gaia. Fomos de Bolt, com um motorista marroquino. Apaixonado pelo Futebol Clube do Porto e por Marraquexe, pelo que a conversa foi promissora. Em Gaia decorreu tudo de forma serena, com o programa habitual de Sábado à tarde naquela casa: almoço de rica feijoada seguida de conversa agradável em cadeiras confortáveis e leitura dos jornais no cantinho do avô — uma alusão por simetria ao cantinho do avô de Valinhas. O F. e a minha cunhada estavam bem-dispostos e a implicarem um com o outro de forma salutar como os conheço há trinta e muitos anos; o meu pai está com a voz sumida, o que me faz certa aflição. O Nuno foi muito mimado com os acepipes como é costume e teve o prazer de experimentar um novo carro eléctrico com conversa técnica entre cunhados. O cão Tim está velhote com os seus dezassete anos.
O Nuno e eu estamos com uma fortíssima constipação, como faz parte da época. O que mais oiço é gente a espirrar e fungar. Mas prescindia das explicações minuciosas sobre os efeitos da doença com que um dos meus colegas resolveu brindar-me quando na sexta-feira estava a tentar tomar o pequeno-almoço.
Obrigada por terem lido. Bom Domingo.
O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.