Imagem gerada pelo Copilot a meu pedido.
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É manhã cedo; ainda em contradição o sol não abriu e a sensação de ontem pela mesma hora esvaneceu. Passaram sete anos em letras corridas num ecrã negro da série de que se faz o percurso. A impressão foi a de um caudal de razões e sentimentos se ter desprendido da correnteza e ter ficado para trás numa água parada que já não se avista do presente.
Afinal, sensação tantas vezes desejada, tantas vezes pedida.
Logo depois a pura da razão apodera-se da ideia e proclama: calma, é uma impressão; o peso voltará. Ainda não é desta. E a confirmação de que tudo na vida se faz por processo e muito é demorado.
E o propósito? Onde anda? Joga às escondidas ao longo dos anos ou das décadas, dando o ar da sua graça quando o espírito é leve e encobrindo-se nos escombros dos desgostos dos dias amargos.
À falta de desígnio perene, desenha-se ao de leve a sensação de sentido dos dias correntes. Uma lógica matemática do encontro da soma e da subtração dos passos comezinhos. Operações simples, sem outra estratégia que não seja a de viver das obrigações e dos prazeres do dia-a-dia; e de vestir o melhor espírito para dias especiais.
Sem grande estratégia, mas com sentido: o de somar mais conquistas justas do que conflitos gratuitos ou esconsos; o de subtrair mais preocupações do que alegrias.
Sem multiplicações para abreviar e rentabilizar caminhos mais fáceis. Sem divisões por não existir acumulado de dividendos, nem haver, por isso, cerco de divisores em busca desaustinada do seu quinhão.
É o lado feliz da solidão - disse solidão e não solitude. Não a artificial, para dar ar de sofisticação e assim seduzir. É o único flanco que interessa a quem cruza o destino na tentativa da verdade consigo própria: o flanco de quem não importa no tabuleiro dos interesses.
É a liberdade de não contar para o jogo dos oportunismos.
Canso pela obstinação. Uma maçada para o vedetismo de belas e belos adormecidos, a teimosia.
A insistência de quem repete há décadas o essencial: água mole em pedra dura, tanto dá até que fura.
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O que escrevo está a ser publicado em Isabel Paulos – Medium.